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30 Julho 2006
Sieg Heil, Israel!
A saudação acima vai para o Estado de Israel; um homicida nato, diga-se. Foram, pelo que li até agora na imprensa, de uma só vez, 56 vidas tomadas de assalto. Sim, os israelenses estão demonstrando ao mundo, em um só dia, que merecem a condição de Estado-acuado mor.
Gosto de ver o Estado de Israel afundando em um lodaçal tão grande. Espero, com todo o coração, ver o dia em que a resposta à arrogância e à paralisia mundial se dê na forma de uma conjunta resposta do mundo árabe. É irônico, para não dizer hilário, ouvir o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, afirmar que as dezenas de civis que morreram foram vítimas do Hisbollah; que este fazia uso destas como escudos-humanos.
Israel e seus dirigentes, como afirmações como esta, desafia a nossa capacidade de raciocínio. O medo, pelo que vejo, continuará a imperar no Oriente Médio. A existência, do modo como está constituída, do Estado de Israel é um risco à estabilidade e convivência naquela região do planeta.
Lembro de um dia aqui mesmo ter dito que aquilo que os israelenses praticavam com o povo da Palestina era equivalente às humilhações que o povo judeu sofrera nas mãos dos nazistas; oprimido aprendera como domesticar cães com os opressores.
Hoje, neste dia trágico em que pelo menos 37 crianças perderam suas vidas diante da estupidez, com toda a raiva que tenho deste homicida constituido, saúdo a hipocrisia, a insensatez, a arrogância e o silêncio: Sieg Heil, Jerusálem! Sieg Heil, Tel-Aviv! Sieg Heil, Israel!

PS. Cuspa no chão após esta saudação...
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Alexandre[20:36]

13 Julho 2006
Primal Scream em alto, classudo e bom som...



Demorei algum tempo para entender porque Exile on Main Street, dos Rolling Stones, é considerado o melhor disco da banda; um clássico absoluto, para muitos. Na verdade, de uns seis anos pra cá é que, sem pestanejar, aponto ele como um dos melhores discos do século que passou. Pode espernear, está tudo ali: toda a matéria-prima que transformou os Stones na "maior banda de Rock'n'Roll de todos os tempos".
Deixemos, por ora, os Stones de lado. O assunto aqui será o novo disco do Primal Scream, Riot City Blues, álbum que, de longe periga ser um forte candidato a melhor de 2006 - juntamente com Broken Soldier Boy, do Raconteurs, Rather Ripped, do Sonic Youth, e, correndo por fora, The Ballad of Broken Seas, da Isobel Campbell (ex-Belle & Sebastian) e Mark Lannegan (Queens of Stone Age e Screaming Trees). O disco de Bobby Gilespie & Cia é um dos mais inspirados da lista citada; é possível sentir algo pulsando quando se escuta o álbum pela primeira vez...vai por mim.
Fazer-nos pulsar é uma das armas do Primal Scream, diga-se. Mesmo em seus primeiros discos pelo selo Creation, podíamos imaginar o porquê da opção de Gilespie em deixar o Jesus & Mary Chain - entender esta opção, no entanto, é outra história. Muita água passou por baixo da ponte enquanto o Primal Scream emendava um disco atrás do outro. Alguns menos inspirados que outros, diga-se - escute os dois primeiros, Sonic Flower Groove (1987) e Primal Scream (1989), e entenderá o que quero dizer (o segundo pode ser encontrado na Velvet Disco, vale lembrar).
Na verdade, o grupo especializou-se em surpreender seus admiradores, detratores e afins. Screamadelica, de 1991, por exemplo, foi o motor de uma guinada na carreira da banda com seu convite aos delírios psicodélicos regados com sobras do Summer of Love. Give Out, but Don't Give Up (1994), o álbum seguinte, denunciava que a banda surpreenderia com uma nova e abrupta mudança - sairam os timbres psico-dançantes e entrou uma releitura dub do bom e velho Rock'n'Roll: Vanishing Point (1997)
Com a dobradinha para ninar insanos XTRMNTR (2000) e Evil Heat (2002), ganhamos a trilha sonora pós-moderna para ninar insanos (Iggy & Stooges que me perdoem, mas...). O jogo estava ganho para o Primal Scream com estes dois discos, mas, depois de um álbum ao vivo e uma coletânea de hits, eis que a reinvenção bate a porta de Gilespie. Vamos voltar aos Stones agora: Riot City Blues é um tributo ao Rock'n'Roll classudo de Jagger e Richards; à melhor fase da banda. Impossível escutar Country Girl, faixa que abre o novo trabalho do Primal Scream, e não associá-la como prima distante (mas gostosinha) de Rocks Off - na minha opinião, uma genial faixa de abertura. O flerte com os Stones é antigo - Rocks, do já citado Give Out, But Don't Give Up é um dos vários tributos que Gilespie e asseclas prestaram. Se interessar, vale uma dobradinha, depois de ouvir Riot City Blues, com Sticky Fingers e Exile on Main Street.
Não vou listar aqui as canções de Riot City Blues; não vou apontar o brilho que cada uma delas esconde. Escute-as; tire suas conclusões. Aproveite...
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Alexandre[19:13]