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24 Janeiro 2006
Besta é tu; Besta é tu...
Não fui ao show do Los Hermanos. Pressão demais. Agora, foi divertido saber de algumas histórias sobre a noite e imaginar como poderia ter sido se tivesse ido. Por exemplo: ver os fãs sendo recebidos por um "besta é tu, besta é tu" dos Novos Baianos seria uma benção. Não consigo conceber fãs mais estúpidos - e olha que gosto do primeiro e do segundo discos das "eminências barbudas pardas da musicalidade global tupiniquim".
Tão estúpidos que, beirando a mais completa falta do que fazer, imploraram por canções aos irônicos-sádicos autores:
- Pierrot! - Pierrot! - Pierrot! - gritava a turba.
- Podem esperar... - disse um dos chatos barbudos.
- ... sentados! - completou o outro barbudo chato.
Acho que a quantidade de pêlos dos rapazes deve estar prejudicando o raciocínio lógico; melhor: os elementares "buarquianos cro-magnon" devem ter regredido sensorialmente e, desde a "eca-tombe" anna-juliana, perderam o fio da meada. Tudo bem o mau humor dos gênios da raça; tudo bem pensarem os fãs como idiotas descerebrados - até Renato Russo achava isso (além do xiitismo dos admiradores, os mocinhos tem muito mais coincidências com o autor de "Eduardo e Mônica"); tudo bem quererem empurrar goela abaixo um disco chato de dar dó; mas ficar destratando os que pagam para assistir seu chato lamento é ridículo.
Não fui, repito, para tal bosta monumental. Mas, pelo que me disseram - inclusive os fãs - bem que gostaria que algum cidadão lançasse uma lata de cerveja em um ângulo ideal para estraçalhar metade daquela barba estúpida do Marcelo Camelo, do Rodrigo Amarante ou daquele afetadinho boçal que fica tocando aquele teclado de churrascaria (o tal do Medina).
O público-fã, por sua vez, deveria ter uma atitude mais expressiva - como um cara que, soube, ficou cantando, enquanto os rapazes iam embora e os fãs imploravam pelo retorno:
- "O Silvio Santos, lá, lálálálálálá, lálálálá, lálálálálálá..."; "Pedro de Lara, lá, lálálálálálá, lálálálá, lálálálálálá..." - esta, sim, se ocorreu, uma das boas sacadas da noite.
No fim, como bons estúpidos masoquistas, os fãs que idolatraram a noite de "sadismo barbado" bem que gostariam de outra session. Santa estúpidez, Robin. Pra completar, ainda há os imbecis que, sentidos por não terem tocado o "saco escrotal da genialidade barbudal" ficam lamentando a própria sorte por aí. Por favor... tietagem tem límites.
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Alexandre[18:31]

22 Janeiro 2006
Wonder Wildner
Tá. O público era composto por uns gatos pingados que, alheios à missa pagã que aconteceria no sábado - Los Hermanos, no Showbar, para mim, é o melhor exemplo de celebração à inutilidade neuronal -, estiveram dispostos a conferir o repertório, diga-se, inusitado de Wander Wildner. A noite, ao menos no meu caso, começaria com algumas cervejas, conversa fiada e, completando a tríade, ansiedade: tudo na mais completa e natural normalidade.
No DoSol, lá pelas 23h, começou a trilha da noite de sexta-feira. Primeiro, com o Montgomery. Gosto dos caras, mas tenho que observar que as apresentações da banda são, na maioria das vezes, milimetricamente regulares. Falta, na minha opinião, um punch mais significativo. É comum - olha que fui a muitas apresentações - uma certa apatia por parte do público; uma catarse em ritmo lento. Um pouco de benzedrina faria uma diferença - como os Beatles em Os Cinco Rapazes de Liverpool. O público respondeu bem à apresentação.
Em seguida, Wander Wildner. Primeiro ele subiu ao palco com uma guitarra em punho e garrafinhas de água mineral. Para um cara que diz "não conseguir ser alegre o tempo inteiro" e que vai se "entorpecer bebendo vinho" foi broxante. Mas, vá lá...
A primeira parte do show foi, ao meu ver, a apresentação de um menestrel. Microfonias e vocal rasgado cuspindo letras despudoradamente viscerais. Wander Wildner é isso: visceras. Mesmo quando declama as gostosuras de sua empregada ou os atributos de "Daryl Hannah e sua bundona", Wildner soa real; alguém que explicita suas emoções.
Lá pelas tantas - não lembro a hora, pois estava muito grogue - subiram ao palco integrantes do Uskaravelho para acompanhar o músico na porção mais "elétrica" do show. Daí, as canções mais alegrinhas do cara fizeram a festa das pouco mais de 100 pessoas que lá estavam no DoSol. Deu até pra ensaiar um pogo, mas, terminada a performance, ainda destroçado pelo instante adolescente que encerrara a apresentação do louco gaúcho, fui em busca de uma cerveja.
Uma outra banda foi formada para tocar alguns clássicos do rock. Preferi não ver: estava entorpecido demais para ter uma visão lógica, cartesiana, daquilo. Fui comprar uma cerveja e pronto. Já tinha ganhado a noite e, pelo que vi depois, sorrindo a valer no lado de fora do DoSol, Wander Wildner também.
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Alexandre[10:39]

15 Janeiro 2006
5h40
Passa das 2h. Não, na verdade passa das 4h - meu cérebro não aguenta processar informações. Cerveja, erva e conversa fiada: uma combinação que, na maioria das vezes, termina em uma bruta dor de cabeça. Há quarenta minutos não consigo pensar em outra coisa senão: - Diabos, como vou voltar pra casa?
Perdi uma carona. A namorada do Renato - que mora a alguns metros da minha casa - saiu mais cedo do que esperava. No final, morando em Neópolis, restam três alternativas: "casar" R$ 15 reais pro taxi; sair contando os postes daqui até o portão de casa; esperar o dia amanhecer e encarar um "busão". Da última opção, depois de tantas vezes fazê-la, criei nojo. A primeira, já que toda a minha grana tinha sido convertida em cervejas e cigarros (outra combinação que, na maioria das vezes, termina com uma bruta dor de cabeça). Restava, portanto, caminhar.
Nunca gostei de caminhar. Acho que deveríamos ter vindo ao mundo equipados com flutuadores. Já imaginou: - Pessoal, valeu, vou flutuando para casa. Uma loucura. Bem, mas como a natureza não leu livros de Isaac Asimov ou Arthur C. Clarke, fico no "dois" até o portão da minha "bodega".
A parte chata disso tudo é que, como são quatro da manhã, bem que poderia esperar o "busão". Pergunta: por que não espero? Simples: não tenho saco para aturar a cambada de fracassados que andam de ônibus. Você deve tá afirmando - quase me espancando: "Grande bosta, você é um deles também!". Não. Quer dizer, talvez seja. No entanto, mesmo sendo um deles, tenho o direito de identificar minha classe, não? Pois bem: esta é a questão.
Mas, voltando para casa, a caminhada não é das melhores: travestis, trombadinhas, viciados em crack, playboys (estes, os piores) e suas "respectivas senhoras" cortam meu caminho a todo instante, lembrando os motivos porque adoro viver essa vida: passar por ela e deixar minha marca.
(...)
Agora vi que já passa das 5h00. Abro o portão da frente. Temos dois portões. Não temos mais cão. Papai resolveu entregar o Rex ao canil. Nada demais, só uma questão operacional: Rex dava muito custo para pouco resultado. Papai trabalha como operador de finanças. Rex foi vítima de um corte necesário, segundo ele. Algumas pessoas não vivem sem justificativas.
Tomei um banho. Joguei minhas roupas, defumadas por muitos cigarros, no cesto e, depois de um banho, fui direto para a cama.
Amanhã é domingo, dia de macarronada aqui em casa. Depois vem a segunda-feira. Nada contra, mas, nos últimos anos, tenho percebido o esforço que tenho feito para reduzir meu ritmo e não implorar para que a sexta-feira chegue mais rápido. Trabalho como relações públicas. Detesto o que faço, mas, como pagam bem, fazer o quê? Faço.
Quem sabe, minha consciência, nos vejamos na sexta. Até lá, fique em stand by; depois conversamos. Ainda temos muito pela frente.
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Alexandre[22:18]

02 Janeiro 2006
A Primeira Metade da Noite

...e então, a noite estava somente na metade. Todos bêbados, sorridentes e dizendo o que eu, você e a torcida do América não gostaríamos de escutar. Lamentos sobre a vida, desacertos amorosos e falta de grana; tudo o que mais te torra a paciência.
Lembro que estávamos os três - eu, André e Flávio -, com sorrisos que beiravam a insanidade, discutindo como terminaríamos aquela noite.
Flávio, o mais otimista dos três, sentenciava: - Não saio daqui sem uma dessas para justificar todo esse tempo perdido - disse apontando para uma das mocinhas que tentavam se manter de pé próximo ao som.
André e eu sabíamos que, na melhor das hipóteses, terminaríamos, e isso não era mal, voltando para casa sozinhos. Particularmente, desde que terminei com Regina (uma das melhores namoradas que já tive - boa com contas e pronta pra tudo), não estava muito interessado em "amarrar" meus cadarços.
- Vai lá, bonitão - disse, enquanto apontava para a "fulaninha" que agora apoiava-se no ombro de uma outra. Flávio cresceu os olhos e, preparando-se para o "bote", já caminhava em direção ao som - a deixa, como sempre, alguma coisa sobre a música que rolava (ele sempre fora muito "musical"; gostava de tudo relacionado a música - defendia lixos como axé e sertanejo, tentando nos convencer da existência de certa qualidade nos gêneros em questão, mesmo sabendo que adorávamos britpop e college rock).
Mal teve tempo de aproximar-se, descobriu algo que André observara instantes antes: - essa "mocinha" tem cara de quem "compartilha do mesmo gosto" que a gente - alfinetou. Bem, em resumo, quão hilariante foi a nossa surpresa quando Flávio, que passara os últimos minutos cortejando a distância e desejando a fulana - que mais tarde, descobriríamos, chamava-se Helena -, descobrira que o fruto apreciado por ela era, para seu desespero, exatamente o mesmo que ele idolatrava.
O "muxoxo" dele foi impagável; risível seria um termo gentil. Daí, uma após outra, tratou de emborcar garganta pra dentro, tudo o que passava à sua frente com teor alcoólico acima de 10°. Como não poderia deixar de ser, a noite que estava em sua metade, ganhou a conotação que menos esperávamos, André e eu: tomar conta de um bêbado que, rejeitado por uma suposta lésbica, afogava suas mágoas em garrafas e mais garrafas.
- Não agüento mais isso - resmungava André. Enquanto isso, com Flávio pendurado entre nós - gritando palavrões aos quatro cantos da cidade -, seguíamos em direção às nossas casas.
O melhor: a primeira metade da noite foi, definitivamente, a mais interessante. Nisso você pode apostar...

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Alexandre[17:41]