
"A Vida é Rock'n'Roll
A Vida é Rock'n'RollSem medo de viver;Sem medo de morrer;Liberte-se!Não é como uma vela que se apagaem meio à madrugada"Ameaça SubterrâneaO disco foi parido em 2004. Sim, parido. O resultado? Um trabalho emblemático; visceral, para ser mais sincero. Há algum tempo procurava pelo disco - encontrei algumas vezes Rômulo Angélico (Voz) e Lucas Fortunato (Guitarra) pelas quebradas da vida, mas sempre recebia a resposta que a estréia do Ameaça não tinha dado para quem queria.
Tudo bem, no fim de semana, depois de uma sessão de PS2, cerveja e conversa fiada, peguei emprestado o disco de Alex de Souza. Senhores, a verdade veio aos meus olhos: o disco dos caras é um exemplar perfeito de rock no talo.
Já conhecia a banda de uma das edições do Sextarte, organizada pelo amigo Magnus Kelly. A noite, das mais incríveis, teve uma das cenas mais emblemáticas: o próprio Kelly em cima de um bureau dançando ao som do Ameaça - enquanto isso, a banda incendiava o "terreiro".
Mal tocado? Bem, quem se importa: mais importante é saber que o Ameaça Subterrânea é, livrada, a melhor banda no seu gênero. Rock'n'Roll anárquico de tremer o queixo. As letras de Rômulo e Walter Gonzales (responsáveis pela maioria das músicas) são inspiradas - dentro do universo Anarcopunk, sejamos claros.
Não há cristão (oops!) capaz de ignorar canções como Rock Blues Jam (a epigrafe acima é dela), Na Boca do Poder (
Se a guerra acabar/E você continuar de pé/Seja ao menos cordial/Mande uma bomba pra multinacional) ou, a melhor, Motoca Laser (
Motoca Laser, Motoca Cilindrada/Não vejo nada nesse cenário obsoleto/Cenário obscuro onde a política é quadrada/Não quero mais esse governo obsoleto). Esta última, por exemplo, tem o melhor refrão já cunhado por uma banda potiguar em tempos.
Acho que, diante do Ameaça, Kropotkin cairia dentro do pogo com Malatesta e os dois sairiam felizes, bebados e renovados. Uma sugestão: a banda parece estar terminando um novo petardo: aguarde e corra atrás do seu.