
Vamos lá. Sempre quis este disco. Não por ser o melhor trabalho de Lou Reed - considero
Transformer, o disco seguinte, muito melhor -, mas por possuir uma crueza sem igual. Visceral, este é o termo. Acho que somente em
Rock'n'Roll Animal o cara conseguiu tanta energia. O disco é pendular; oscila entre o mais teatral lirismo e a latência rocker.
O primeiro disco de Lou Reed, há muito fora de catálogo, ganhou uma edição bacaninha faz alguns anos. Flertei durante muito tempo com ele. Fiquei interessado devido a uma faixa em especial:
Ride Into The Sun. Conhecia versões e a canção original (uma espécie de outtake de
Loaded) não era suficientemente rocker como imaginava. Não como a versão do Luna, por exemplo.
Lembro de ter tido longas conversas com Marcelo (Velvet Discos) sobre a qualidade deste álbum. Não dava muito por ele, confesso. Afirmo, por sua vez, que, depois de escutá-lo de verdade, formei uma opinião.
Reed foi esperto: empregou algumas canções do último disco dele com o Velvet Underground (antes de decretar o fim da banda), rearrangou-as e soltou a bomba.
I Can't Stand It está impecável na abertura do disco e todas as faixas seguintes demonstram, apesar da aparente irregularidade (e de algumas decaídas) que Lou Reed é um dos primeiros álbuns de estréia já feitos.
Não preciso falar de músicas como
Berlin,
Ocean ou
Walk And Talk It. Na verdade, pouco dá pra falar ou quantificar sobre o trabalho. No seu lugar procurei me aproximar desta maravilha. Faça o mesmo e, garanto, não se arrependerá.
Lou Reed é um disco pra sempre.