Vivemos dias bastante estranhos em nosso país e isto tem me causado profunda preocupação. Não são somente as notícias sobre as denúncias de corrupção, mas a maneira como todos - mídia e população - vêm se comportando. Por uma questão de princípios - e por acreditar que o melhor jornalismo é aquele praticado no dia-a-dia - tenho, sempre que posso, questionado as pessoas sobre o que observam do cenário nacional.
Por mais incrível que possa parecer, apesar do esforço de alguns setores de nossa sociedade, a posição acerca do presidente segue impecável, mas seu governo sofre com a mácula.
Para mim, a pior coisa que vem acontecendo é a tentativa desenfreada da oposição ao governo em validar uma espécie de "golpe branco", buscando, através de manobras constitucionais, depor o presidente Lula.
Não que esteja defendendo-o, mas acredito que o povo - e não um bando de parlamentares corruptos e mais interessados em salvar o próprio pescoço da corda - deveria ter o direito de opinar sobre o presidente. Para isso, nada mais justo que deixar o governo seguir seu caminho: não faz sentido que, em um ano que antecede às eleições gerais, faça-se tamanho esforço.
Se a idéia é desestabilizar o governo para, em 2006, tentar ganhar a eleição, tudo bem; não podemos é apoiar o golpe. Exemplos como o da senadora Heloisa Helena e de outros devem ser ignorados - a ilustre senadora tem uma mácula grande em seu currículo quando votou contra a cassação do senador Luís Estevão.
Pela eleição e contra um eventual impeachment: esta é minha posição. Todo o poder ao povo, pois dele emana a mais crua das razões.