É preocupante a maneira como a imprensa brasileira - e, em especial, a desta capital - vem tratando as denúncias de irregularidades que pairam sobre o Governo Lula. Na verdade, o comportamento parcial de alguns meios, a força que vem fazendo na barra e, mais que isso, a visível tentativa de comprometer o governo constituído são elementos para reflexão.
O engraçado é ver o
revival totalitário que vem tomando conta da cabeça de uma pequena parcela da população - justamente aquela que, desiludida com a destituição do poder, passou a fazer terrorismo institucional. Basta ler as páginas locais para ter uma idéia: jornais revivendo "a voz da caserna" (que, na minha opinião, deveria permanecer no ostracismo moral em que se alojou findo os anos de regime ditatorial); instituições e "ilibados senhores" propondo consultas populares como meio de legitimar um golpe branco em curso; e cabeças vazias que teimam em aceitar "verdades" como verdades.
A via constitucional deve ser mantida - voltamos à democracia por isso e não podemos permitir que, sob a desculpa de repor a "moralidade na política" devamos depor um presidente (a política brasileira nunca teve moral).
Deveríamos depor, sim, muitos deputados (talvez, até, limá-los da vida política por algumas décadas). Engraçado que, sendo o congresso o foco das denúncias, ninguém tenha proposto a reformulação do modelo de ingresso à Câmara dos Deputados. Que tal apenas dois mandatos para cada um deles? Dessa maneira teríamos maior diversidade naquela casa (algo que ela certamente está precisando).
No mais, até agora o que se viu foram indícios lançados ao ventilador. Roberto Jefferson, Karina Sommagio e outros "heróis" nacionais apenas atiraram em todas as direções - o primeiro, por ter sua batata assando (já que, notório corrupto que é, não queria "queimar" sozinho dentro do caldeirão do diabo); a segunda, por interesses que, na minha opinião, precisam ser averiguados com cuidado (a ligação da senhorita que editores de revistas com comprovados interesses e também com certos "oportunistas" de plantão).
Nunca fui petista, mas simpatizante da esquerda e de alguns de seus nomes. Acredito que, na base do ferro quente, o PT está aprendendo como lidar com um ninho de víboras implantado no centro do país. Resta à população defender a manutenção do Estado Democrático: chega de delírios totalitários e ditatoriais.
A Voz da Caserna e seus insistentes defensores precisam aprender a calar e aceitar sua condição. A Democracia não tem retorno: é isso ou...