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26 Maio 2005
Da matéria da qual os sonhos são feitos...


Um belo dia o Senhor dos Sonhos foi aprisionado e teve todos os seus apetrechos mágicos roubados. Tendo sido convocado em um ritual que pretendia aprisionar a Morte, Sonho passou setenta anos preso; aguardando pela liberdade que lhe fora privada. Bem, em resumo, é assim que começa Prelúdios & Noturnos, primeiro volume da reedição completa que a Editora Conrad pretende fazer de Sandman.
Por muito tempo (muito mesmo) vasculhei sebos e mais sebos procurando recolher o máximo de edições que pudesse da série - Sonho sempre foi um favorito. As publicações do personagem sempre foram muito caras e, pelo menos durante uns bons dez anos, procurar edições usadas foi uma maneira mais, digamos, prática para adentrar no Sonhar (quem conhece sabe do que estou falando).
O personagem e sua mitologia são impressionantes. Neste primeiro volume somos apresentados a uma parte do universo criado por Neil Gaiman e que contribuiu para o estabelecimento do segmento de quadrinhos adultos. Música, contemporaneidade, mitologia, tudo foi transformado em combustível por Gaiman para nos presentear com um espetáculo da "nona arte". Em Prelúdios & Noturnos somos conduzidos pelo personagem através de parte do Sonhar e levados a situações impressionantes.
Destaques? Bem, só o episódio em que Sandman, na busca por sua algibeira, encontra-se com John Constantine pagaria o livro. Mas, além disso, temos outros momentos marcantes. A descida de Morpheus ao Inferno em Uma Esperança no Inferno, seu encontro com Lucifer Estrela da Manhã e sua batalha por seu elmo são momentos memoráveis desde sempre.
- Indaguem a si mesmos todos vocês: que poder teria o Inferno, se todos aqui presos não fossem capazes de sonhar com o Céu? - afirma Morpheus antes de atravessar uma horda de demônios e deixar atrás de si um desapontado Lucifer.
Outro momento importante que faz parte de Prelúdios & Noturnos é o encontro entre Morpheus e sua irmã Morte. Os dois Perpétuos têm uma franca conversa sobre a razão de existirem no episódio O Som das Suas Asas.
Não há uma única história em que a matéria com a qual são feitos os sonhos não seja apresentada (ou reapresentada) a nós. Prelúdios & Noturnos, a reedição da Conrad, periga ser o melhor lançamento deste ano. E pensar que, até 2008, a editora pretende nos entregar todos os encadernados. Meu bolso grita em desespero, mas minha alegria é muito maior por saber que finalmente terei Sonho e seu universo equilibrados em minha biblioteca.
Meu sorriso ainda não fechou. Bons Sonhos a todos...
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Alexandre[19:15]

15 Maio 2005
Vendetta


Esta é nova: Hugo Weaving, o Agente Smith de Matrix, interpretará o papel-título do filme V de Vingança, produção que vem sendo conduzida pelos Irmãos Wachowski (criadores da Trilogia Matrix). O filme, pelo que se pode perceber, anda a passos largos e, apesar da debandada do ator James Purefoy (cotado para o personagem), o longa está previsto para o final do ano.
Integram ainda o elenco Natalie Portman (Star Wars) e Stephen Rea (Entrevista com o Vampiro). O filme está sendo dirigido por James McTeigue, assistente de direção dos Wachowski em Matrix.
Para quem não conhece, o filme baseia-se em uma série de quadrinhos criada pelo genial Alan Moore. Na história, em uma Inglaterra futurista e totalitária (com ares de Vitoriana), um vigilante luta contra o sistema e termina salvando a vida de uma garota chamada Evey (Natalie Portman). "V" (Hugo Weaving) busca, com ações terroristas, devolver a liberdade roubada dos ingleses.
O filme pode terminar sendo uma porcaria, mas os quadrinhos merecem ser lidos. Corra até a livraria mais próxima, compre o seu exemplar e aguarde o filme para fazer comparações.
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Alexandre[12:43]

14 Maio 2005
Longa espera...


A primeira vez que li O Lobo Solitário, de Kazuo Koike e Goseki Kojima, tinha pouco mais de 15 anos. Foi uma experiência única, já que, até então, havia tido pouco ou quase nenhum contato com mangás e outros gêneros de HQ's. Logo fiquei fascinado pelas aventuras, repletas de filosofia oriental e detentoras de sensibilidade única (apesar da temática).
As edições que li foram aquelas da editora Nova Sampa (sem regularidade alguma, diga-se, aqui em Natal). Mesmo não acompanhando a saga até seu final, fiquei bastante impressionado pela saga do assassino Ito Ogami e seu filho Daigoro. O "caminho dos matadores" escolhido pelo executor oficial do shogun me impressionou.
Ao cair em desgraça perante o shogun, Ito Ogami escolhe tornar-se um matador de aluguel e empregar seus esforços em prol de quem puder pagar mais. Junto com seu filho, enquanto não obtém sua vingança, vaga pelo Japão medieval fazendo aquilo que faz de melhor pelo devido preço: matar. Dito assim, a série parece bem resolvida, mas há muito mais a ser desvendado dentro do universo de O Lobo Solitário. E este é o principal mérito da série.
Foi com surpresa que recebi a notícia de que a Panini reeditaria a saga no país, trazendo todos os seus números e publicando-os - no formato original (preservando as capas de Frank Miller) - para o deleite dos fãs brasileiros das aventuras. Fiquei preocupado quando, depois de três meses, nenhuma das edições sequer chegaram a Natal. Mas, depois de toda a espera, no mês passado os números começaram a chegar.
Posso afirmar que, juntamente com Buda, de Osamu Tezuka, O Lobo Solitário tem sido uma das minhas principais leituras em quadrinhos nos últimos dois meses. O primeiro, pelo contato com um mestre da arte seqüêncial; o segundo, por resgatar memórias importantes.
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Alexandre[15:08]

03 Maio 2005
Causticante


Podem até protestar, mas, ao menos para mim, Showbiz - primeiro disco do Muse - é de longe o melhor e mais coeso trabalho da banda de Matthew Bellamy, Chris Wolstenhome e Dominic Howard. Apesar de gostar bastante de Absolution (2003) e de Origin of Symmetry (2001), Showbiz tem tudo o que considero primordial em um bom disco de rock'n'roll: coesão, harmonias de arrasar e letras imbatíveis.
Da primeira a última faixa - apesar de alguns afirmarem que a banda herda muito de sua sonoridade de um Radiohead perdido em meados da década de 90 - o primeiro disco dos caras (lançado em 1999) é, com o perdão da palavra, estarrecedor de tão competente. O disco abre com Sunburn, em que os vocais de Bellamy dão o tom; a cozinha, a cargo de Wolstenhome e Dom Howard encerram a "matemática harmônica" do grupo.
A faixa seguinte, Muscle Museum, é uma história à parte; vale somente dizer que, quando a escutei pela primeira vez, em um clipe exibido pelo Lado B da MTV (ainda sob o comando de Fábio Massari), fui arrebatado. Bons vocais sempre chamam a minha atenção; na verdade, vocais com alma chamam a minha atenção. Ali, no instante em que ouvi aquela música, fui arrebatado.
Em Showbiz, a faixa título, nunca o mainstream do sucesso a qualquer preço foi retratado com tamanho drama. "And I'll hide from the world/Behind a broken frame/And I'll burn forever/I can't face the shame", diz tudo, não? E a seqüência de canções de igual quilate sobem a ladeira em um crescendo.
Para encerrar este grande álbum, uma canção como Hate This & I'll Love You: um lamento que explica porque esta banda periga ser (se ainda não tornou-se) uma das grandes do final do século passado. Disco indispensável.
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Alexandre[17:33]