
Bem, se não terminou de ler o clássico absoluto de Garth Ennis e Steve Dillon, Preacher, acho bom parar por aqui. Terminei - graças a um acaso celestial - a série completa do roteirista de quadrinhos mais insano da face da terra. Não bastasse ter criado os personagens mais improváveis, Ennis encerrou - pasmem, em 2000 - aquela que periga tornar-se uma das melhores histórias em quadrinhos para adultos de todos os tempos.
Pra quem ainda não teve a oportunidade de ler a série, Preacher conta a saga de Jesse Custer, um pregador do Texas que, em um belo dia, durante um sermão, vê-se possuido por uma entidade de nome Genesis. A "criatura" que incorpora o pregador que dá título à série foi fruto de uma "relação" entre um arcanjo e uma sucubo. Dá pra sentir que o caldo entorna por aí.
O barato desta entidade é que ela, além de detonar uma igreja lotada de caipiras texanos, presenteia Custer com "A Palavra de Deus". Para ter-se uma idéia da responsabilidade que a entidade enseja, em determinado momento dos quadrinhos Custer ordena que um vilão morra e o cara cai duro.
O problema é que, logo na abertura da série, depois de um embate com o Santo dos Assassinos - um caubói criado por Ennis que desceu ao Inferno, matou o Diabo e voltou para tornar-se um "soldado" do céu -, Jesse Custer descobre que Deus, o dito cujo, não habita mais o paraiso; fugiu, tirou férias e não voltou mais.
Decidido a descobrir a verdade, juntamente com a "ladykiller" Tulipa e o vampiro irlandês Cassidy, Jesse inicia sua busca - nem que para isso tivesse que chutar o rabo do criador de volta ao trono. É mais ou menos isto que acontece até o volume 66 - edição americana - da série, tudo regado com a mais pura bizarrice. Bukowski ficaria corado com algumas situações criadas por Ennis para seu personagem
Por sua vez, o criador de Preacher deixou para o encerramento o melhor da festa. A saga O Alamo, que fecha a trama, traz de volta Herr Starr e sua trupe. O grupo que atazanou a vida do personagem durante toda sua busca, volta decidido a resolver o problema "Jesse Custer" de uma vez por todas. Deus, também preocupado com a situação, decide retornar ao paraiso. O que ele encontra? O Santo dos Assassinos louco por explicações sobre a morte de sua família.
Daí, é um Deus por ninguém e todos que se "lasquem": o fecho de Preacher é impecável - até a piegas cena em que o casal Custer-Tulipa despede-se é bacana. No entanto, melhor que qualquer diálogo, é o racha entre o Santos dos Assassinos e o Criador. Digamos que, sem meandros, o Santo bota pra foder no Criador.
A parte ruim é que o número final de Preacher não chegou por aqui. Somente o importado. Corra e procure o seu.