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31 Julho 2004
Funhouse e Raw Power a caminho...
O segundo, já conhecia; o primeiro, escutei lá em Marcelo (Velvet Discos). Os dois discos de Mr. Iggy "Fucking" Pop e seus Stooges são tijolos que, quando atingem o hipotálamo, causam prejuízos enormes à coordenação motora. Impossível passar sem estes discos. O primeirão - The Stooges (1969) - ficará para uma outra ocasião, mas estes dois ingressarão na minha coleção em breve.
Estou com algumas músicas em MP3, mas, como bom admirador e consumidor de música, tenho que ter os discos - valorização do trabalho. Iggy Pop é gênio: não poderia ofendê-lo desta forma. Marcelo, que me emprestou o The Complete Funhouse Sessions, é fã do disco há muito tempo. Confesso que conhecia pouco sobre este disco - o clássico dos Stooges, para mim, era Raw Power (Imbatível). No entanto, bastou a audição de algumas músicas de Funhouse para me render à majestade Pop.
TV Eye, Loose e outras faixas mais são certeiras e comprovam que Iggy e asseclas têm cadeiras cativas no panteão do Rock'n'roll. Raw Power, um outro petardo, traz os clássicos Search & Destroy e Your Pretty Face Is Going to Hell. Não é necessário dizer muito sobre este disco: Iggy Pop, Ron Asheton e demais afundaram na curtição e, sob a batuta de David Bowie, cunharam esta maravilha. Funhouse e Raw Power são discos que precisam figurar em qualquer discoteca básica que se preze. O resto... bem, é resto.

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Alexandre[18:33]

28 Julho 2004
A gafe de Carlão.
Gosto do cara e ele sabe disso, mas a crítica que ele fez no último domingo sobre Dogville, de Lars Von Trier, foi um tanto quanto equivocada. Já escrevi sobre o filme e, ao contrário do amigo, posso dizer que há muito não via um filme tão contundente.
Parece que outros também não gostaram do que foi escrito por Carlão. O professor Moacy Cirne - um papa dos quadrinhos e conhecedor do bom cinema - foi um deles e, por este motivo mandou uma "resposta" na jugular do jornalista.
Abaixo segue a integra:

LEITURAS NATALENSES (1)

Ao ler a
Tribuna do Norte de domingo passado, encontrei na página Quadrantes a seguinte "preciosidade crítica" do poeta Carlos de Souza:

"Finalmente criei coragem para assistir ao badalado filme Dogville, de Lars Van Triers. Os cinéfilos-cabeça que me perdoem, mas não consegui passar dos 10 minutos. Aquilo pode ser tudo, vanguarda, experimentalismo, teatro na tela, etc. Mas cinema não é".

O Sr. Carlos de Souza que me desculpe: ele pode ser tudo, até mesmo um poeta de quinta categoria, mas crítico de cinema ele não é, nem aqui, nem na China, nem no Japão. Se ele entende de cinema, eu entendo de física quântica... Aliás, omitir opinião sobre Dogville tendo visto apenas 10 minutos é o mesmo que omitir opinião sobre Finnegans wake sem ter lido uma linha sequer da obra mais polêmica de Joyce. Decerto, ele tem todo o direito de não gostar do filme de Trier, assim como tem o direito de ser uma nulidade crítica em matéria de linguagem cinematográfica, mas fica difícil para os leitores da
TN aturar a burrice de alguém que omite um parecer vendo apenas os 10 minutos iniciais de uma obra de final impactante e que tem quase três horas de projeção.
Ainda bem que há bons nomes na imprensa natalense. Assim como há bons poetas e bons ficcinonistas no Rio Grande do Norte. Ou seja, os próximos dias podem ser bastante proveitosos em se tratando de leituras potiguares.

Pesado, mas certeiro. Acredito que Carlão terá o cuidado de, antes de escrever, assistir outro filme até o fim. Espero.
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Alexandre[20:17]

24 Julho 2004
Você já sentiu a sensação de ter sido lesado?
Não vou expor aqui considerações sobre as qualidades musicais da Marina Elali. Não simpatizo com a proposta que ela tem apresentado nos últimos anos (algo entre o popular ao completamente brega), mas aceito sua escolha. No entanto, apesar destas ponderações, me incomoda o fato de que esta senhorita está, graças à influência de seus parentes, obtendo as graças do Governo do Estado.
Acho esquisito, diante de sua entrada no Fama da Rede Globo, afirmar que ela representa o nosso Estado. Mais ainda: João Batista, à sua maneira, também representou o RN. Não? Talvez por ser Preto, Pobre, Morador da Zona Norte e não estar em cômoda situação econômica. Outro aspecto que questiono é o seguinte: como que o Governo investe dezenas, centenas ou milhares de reais divulgando uma pessoa? O Estado cultiva uma cantora, enquanto a arte no Estado pede socorro. Na realidade, não só a arte: saúde, educação, agricultura e turismo.
Pasmem com algumas verdades: enquanto o RN investe para "divulgar-se" através da senhorita Marina Elali faltam medicamentos na Unicat (pessoas transplantadas, que precisam de medicamentos para evitar a rejeição dos órgãos que receberam se submetem a uma via-crucis diária); enquanto a senhorita Marina Elali tem suas ligações patrocinadas pela Secretaria Estadual de Turismo, os bugreiros não têm por onde passear com os turistas - estes, sim, reais divulgadores de nosso Estado; enquanto Marina Elali é votada por adolescentes que querem uma viagem ao Rio de Janeiro patrocinada pela SETUR, as estradas do RN permanecem vergonhosas, manchando nosso turismo.

Acredito que a decisão tomada pelo "Governo de Todos" em apoiar uma artista da "terra" deveria estender-se aos demais. Paternalismo é pra quem tem pai rico pra pagar a conta. O Estado não deve participar desta pasmaceira absurda. Chega de enganação, senhores.
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Alexandre[17:35]

23 Julho 2004
Pelo amor de meus filhinhos...
Nos últimos tempos, nada tem me irritado mais que a leitura de alguns blogs. Na verdade, tenho, com o tempo, evitado ler qualquer coisa que não tenha mais de dois anos de vida inteligente na Internet. Porra, tenho observado barbaridades que oscilam desde a mais completa ignorância à norma culta da língua (inculta e bela) portuguesa até o completo rebuscamento formal forçado.
Pelo amor de meus filhinhos, parem de ler literatura do século XVIII e passem a ler algo mais interessante - coisa do século passado, por exemplo. Talvez assim os textos possam se tornar mais fluídos. John Reed, John Hersey, Truman Capote, Jack Kerouac, Bukowski, Celine e tantos outros estiveram por aí e já mostraram o caminho.

Por favor, aprendam algo com estes distintos senhores.
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Alexandre[18:29]

12 Julho 2004
Um livro como memória...


Erich Maria Remarque
Nada de Novo no Front


Posso dizer com sinceridade: costumo torcer o nariz para qualquer livro que tenha como mote guerras, combates e afins. Por este motivo estou entusiasmado com minha leitura mais recente, Nada de Novo no Front de Erich Maria Remarque. O livro, um relator cru sobre aquela que foi a mais violenta de todas as guerras - a I Guerra Mundial (alguns dirão que foi a segunda, mas, para ter uma dimensão da coisa, adicione guerra química e bacteriológica aos tiros, bombas e afins.
Remarque, que participou da I Grande Guerra relata tudo o que viu no front e como isto afetou a Alemanha pré-hitlerista. Nada de Novo no Front é uma daquelas peças da literatura mundial que deveriam figurar em qualquer estante mundo afora com a indicação: "em caso de guerra iminente, leia com cuidado".
Paul Baumer, o personagem auto-biográfico criado por Remarque a partir de suas próprias anotações, relata o dia-a-dia dos campos de guerra, as dificuldades, mudanças e a esperança que, mesmo na mais abjeta e estúpida situação, não abandona o espírito humano. Todos os lados de uma guerra que, segundo Remarque - mais atual que nunca - não possui heróis, mas ignorantes nos dois lados.
Vale salientar que, por este livro, Erich Maria Remarque foi perseguido pela Alemanha Nazista e seus principais artífices: Hitler, Gobbels e Goering. As edições de Nada de Novo no Front publicadas na Alemanha daquela época foram queimadas em praça pública, devido ao teor pacifista explicitado por suas páginas.
Para os que querem saber um pouco mais sobre como uma guerra afeta e destroça o espírito humano, recomendo uma leitura de Nada de Novo no Front.
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Alexandre[11:01]

09 Julho 2004
I Want My MTV... Back!
Estava conversando, há alguns dias, com meu amigo Einstein (não foi psicografia ou coisa do gênero, um dos meus melhores amigos tem este nome, sim) sobre a falta que sinto dos tempos em que a MTV era pouca conversa e muita música. Até a porra dos VJs eram melhores - ao menos não ficavam conversando abobrinhas ou promovendo uma masturbação intelectual mais vazia que meus bolsos no dia 20 de cada mês.
Pois é, bons tempos aqueles em que era possível assistir uma hora e meia de Lado B, apresentado pelo "reverendo" Fábio Massari. Alguns poderão lembrar do tempo em que a Cuca apresentava o Disk MTV - quando a xarope da Sarah (criaturinha sem-sal) sequer existia - e Cannonball, do Breeders, ocupava a primeira posição da parada. Poxa, mesmo não gostando, era bacana assistir o Feijão MTV ou mesmo o mais chato de todos: Fúria MTV.
Incrível como naquele tempo a música, e não um bando de VJs metidos a "darlings", importava. Porra, até o Casé tornou-se insuportavelmente pedante nos últimos anos. Quando digo que quero de volta a minha antiga MTV, creio que muitos pensam da mesma maneira.
Chega de programinhas feitos para retardados mentais;
Chega de apresentadores que dizem "Recifanos" quando querem dizer "Recifenses";
Chega de viagens pseudo-intelectuais por indivíduos que não têm conhecimento para mover uma ervilha de lugar;
Chega de pasteurização - vamos devolver Broz'ta, Sandy e outras bizarrices ao devido lugar: algum horário dentro do Raul Gil.

Eu quero a minha MTV de volta, porra!
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Alexandre[16:52]

06 Julho 2004
It's better to burn out, than to fade away... Rock'n'Roll é isso aí...
Mesmo que você simplesmente odeie o estilo, é graças ao bom e velho Rock'n'Roll que toda a diversidade musical que nos cerca está por aí. O "velhinho", que completou neste semana 50 anos de existência, botou o povo pra dançar, cantar, pensar e mudar o mundo.
As gerações que se seguiram, depois que Elvis "The Pelvis" Presley gravou That's Alright, Mama, passaram a conviver com um estilo que, ao contrário do que muitos pateticamente falam por aí, veio para ficar por mais meio ou um século inteiro.
Como li certa vez, "enquanto existir um jovem idealista, uma guitarra e revolta latente, o Rock'n'Roll viverá". O "terror dos pais" na década de 50, o "motor da contracultura" na década de 60, o "clamor das ruas" na década de 70, a "nova onda" na década de 80, "o retorno às origens" na década de 90 e o "novo rock" em dias atuais: todos tiveram a sua dose de rock'n'roll durante estes cinquenta anos.
Como diria o velho Neil Young: "Hey, Hey, My, My... Rock'n'Roll Will Never Die!"
Esse, sim, sabe das coisas....
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Alexandre[16:15]

05 Julho 2004
Sim, este é o meu disco favorito dos últimos tempos...


The Who
Live At Leeds


Bem, tenho apenas três discos do The Who e, confesso, nunca simpatizei o suficiente com a banda. Na verdade, nunca escutei como deveria o som de Pete Townshend, Roger Daltrey, John Entwistle e o infernal Keith Moon. Posso dizer que, depois de ouvir aquele que é considerado o "melhor álbum ao vivo de todos os tempos", mudei totalmente minha opinião.
Live At Leeds, meus caros, é o disco que qualquer banda de rock'n'roll gostaria de ter gravado. Enérgico, pulsante e violentamente sincero: assim é este disco. O ano era 1970 e o The Who estava com todos os demônios em dia: não fazia muito que Tommy havia sido lançado e os caras decidem gravar a apresentação que arrasaria o rock, deixando-o boquiaberto: era possível transpor a energia de uma apresentação ao vivo para o disco com uma qualidade impecável.
As músicas, como não poderia deixar de ser, são sucessivos petardos lançados aos ouvidos incautos. Heaven And Hell, I Can't Explain, A Quick One, While He's Away e My Generation dão uma dimensão do estrago que estes senhores cometeram com esta, no melhor sentido da palavra, obra-prima do Rock'n'Roll.
Definitivamente, um álbum inexplicável: tem que ouvir.
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Alexandre[14:22]