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| 28 Junho 2004 |
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| Odeio o jornalismo careta e cheio de "guere-guere" feito nesta cidade... |
Confesso: nos últimos dias tenho estado um tanto desgostoso quanto a escrever sobre o que quer que seja. Na verdade, creio ter chegado à encruzilhada em que preciso responder a uma pergunta importante: o que diabos quero do jornalismo? O que há de interessante em ser jornalista em uma cidade que não dá a mínima para o que esta profissão significa? Há pelo menos duas semanas respondi a um questionamento semelhante no blog de Micarla ( http://haydias.weblogger.com.br). Dei uma resposta engraçadinha - daquelas sacadas espinhosas habituais (rebuscadas, mas sem dizer patavina), mas que não refletem totalmente o que penso. Parte deste meu revés deriva de um raciocínio mais amplo sobre a praxis jornalística, seus problemas cá por estas plagas e os "pecados" que cometi tentando encará-los de frente. Tenho - parte por não entender como funciona a mente de alguns "jornalistas" locais (assim, entre aspas, para desmerecer mesmo), parte também por estar desgostoso comigo mesmo - revisto alguns aspectos sobre meu exercício da profissão. Acredito que o "ser jornalista" é levar além o simples falar sobre o que salta aos olhos, mas não significa comercializar-se como mercadoria exposta em banca de feira livre. É difícil, mas uma verdade aparente sobrevive quando discutimos este tema: jornalismo não é tão somente uma profissão "estilosa". Fodam-se os que pensam no quão enfant terrible um indivíduo pode se tornar sendo "jornalista". Não basta o estilo (andar como jornalista, empinar o nariz como jornalista, foder como jornalista), é preciso feeling e acho que estou perdendo o jeito. É fácil lembrar quantas vezes - principalmente nos últimos dias - pensei em criar meu próprio veículo; contar com a ajuda de alguns colegas "idealistas" e montar algo realmente isento: algo que refletisse o que diabos vejo como necessário a esta profissão. Percebo, no entanto, que o idealismo vem da minha parte: nunca conseguirei a isenção e a crítica que procuro pois esta não existe; teria que ser algo divinizado ou tocado pelo diabo para dar certo. Existem os que não pensam desta forma e não têm qualquer compromisso para com sua própria consciência social. Para estes digo parabéns e mais: vão lá e exercitem o ego. É por este e outros motivos que - não apenas uma vez, mas várias - tenho pensado em mandar veículos e a "fina flôr do laranjal" do jornalismo local às picas, literalmente. Tenho visto que, por mais que dê o meu sangue - sabendo que trilho o caminho correto e que nunca (disse, nunca) me venderia -, não terei muito retorno em tal intento. Pior: que a inteligentsia jornalística local valoriza mais o dinheiro no "pé do cipa" que sua função como ferramenta propícia à mudança no status quo vigente. Não virei jornalista pelo glamour da coisa. Quero mais que apenas pão e circo, e, creio eu, vou demorar um bocado para encontrar. Rir pra não chorar, meus caros... Cartola estava certo. |
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| Alexandre[23:11]
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| 16 Junho 2004 |
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| Por um punhado de dólares... |
Um garoto inocente fez certa vez um pedido ao líder da maior potência mundial. Queria saber a cor do dinheiro que circulava no país do "Tio Sam". O garoto cubano, talvez desiludido por não ver atendido seu desejo, deflagaria, anos depois, uma das mais imponentes ações deste século. Engraçado pensar nisso agora, mas o que teria passado pela cabeça deste garoto, o jovem Fidel Castro, se o presidente norte-americano Franklin Roosevelt tivesse sido atendido sua suplica? Teríamos ou não revolução? Não sei, mas a história por trás disso tudo é sensacional. Fidel, então com miseros doze anos, no nascer de sua adolescência, ele implorou em carta para que o então presidente dos EUA enviasse uma nota de US$ 10,00 - ele queria saber como ela era. Dez míseros dólares teriam feito a diferença? Acredito que sim, e que boa parte da história poderia ter sido reescrita de outra maneira. Dezenove anos depois, este mesmo garoto deflagaria a revolução. Talvez, se tivesse atendido o seu pedido, a história fosse outra. Na minha opinião, foi melhor ele não vê-lo atendido: o mundo ficou mais divertido desde então. Para quem quiser ler a matéria, clique aqui |
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| Alexandre[09:09]
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| 13 Junho 2004 |
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| Como todo mundo fez, decidi fazer também... |

Pois é, descobri, fazendo um desses teste via Internet que este é o Gênio Louco que se aproxima de mim. Não espero, no entanto, nem de longe, morrer como o cidadão ai acima. Para quem não conhece, vale dar uma chafurdada nos sebos para encontrar os textos do cara. |
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| Alexandre[17:55]
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| 11 Junho 2004 |
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| Não diga nada. Na hora certa, apenas me beija... |
Confesso que procurei, revirando boa parte de meus livros e discos, algumas frases que pudessem pelo menos passar perto do que tenho sentido nos últimos anos e o que este dia representa para mim. Na verdade, não me importo com o dia: o Dia dos Namorados nada mais é que uma desculpa capitalista para algo que acontece, no meu caso, diariamente; algo maior do que tudo o que já senti. Talvez nunca tenha dito isto desta maneira, mas, como muitos já devem imaginar, amo aquela que é a mulher mais linda e maravilhosa que atravessou os meus dias e, seguramente, tornou-os indispensáveis. Este é o segundo "Dia dos Namorados" que comemoramos. Sei que ela tem uma fixação por surpresas, cartões e coisas do gênero: o meu espírito prático, na maioria das vezes, estraga tudo, mas, ainda assim, ela sabe que não é por mal. Por sua vez, nestas poucas linhas que escrevo, quero deixar claro que este registro tem, sim, o objetivo de surpreendê-la. Ele ficará pouco tempo aqui - o suficiente para que aquela que considero a "melhor coisa que aconteceu em toda a minha existência" possa conferir o que aqui está escrito. Eu te amo, Kênia Castro. Você é e sempre será - nestes e em todos os dias que virão - a mulher da minha vida. Nenhum presente que te dê passará perto do que sinto, do que você representa e da luz que seu sorriso me transmite a cada dia. De todos os presentes que ganhei de você, o teu amor, afeto, carinho e compreensão são os mais importantes. Permaneça comigo em todos os dias que virão... você não se arrependerá de abrigar o meu amor. Este é, desde já, o seu cartão... Alexandre |
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| Alexandre[22:33]
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| 08 Junho 2004 |
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| Dias negros ou "que bom seria fuzilarmos alguns deputados?" |
Aberração. A palavra acima define muito bem a proposta do senhor deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT) do Piauí, Nazareno Fontelles. O cidadão, das duas uma, está querendo instituir uma ditadura no país ou pretende um levante. Simplesmente o "camarada", se assim podemos chamar o "nobre legislador", está propondo a retenção compulsória de bens da população brasileira. Isto mesmo: retenção compulsória. Na surdina, ele encaminhou, no mês de março, um projeto no qual apresenta a proposta de Limite Máximo de Consumo e Poupança Fraterna à Câmara dos Deputados, a qual estabelece um teto máximo de recursos (money!) que um cidadão poderá dispor para sustentar sua família. Uma proposta como esta somente poderia figurar no mais retrógrado dos regimes totalitários. Este deputado deveria ser internado ou mesmo preso por propor um absurdo como este. Para os que não acreditam no que falo, clique aqui e veja o link da proposta e, clicando aqui, veja o absurdo tramitando sem que ninguém se dê conta do que se pretende. Este é um absurdo milhares de vezes mais perigoso que a retenção das cadernetas de poupança promovido pela ex-ministra da Fazenda, Zélia Cardoso. Façam barulho... |
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| Alexandre[08:46]
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| 02 Junho 2004 |
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| Mada 2004 ou "O melhor vem sempre ao final" |
Gostaria de tecer algumas considerações sobre o Mada 2004, principalmente depois de refletir um bocado sobre o evento. Em primeiro lugar, gostaria de deixar claro que esta é uma crítica - quem não gostar, pode postar nos comentários, mas não me convencerá do contrário. Ademais, somente falarei daquilo que vi (não vou brincar de "não vi, gostei". Vamos aos eleitos e aqueles nem tanto! Primeira Noite ou O Inferno Desce a LadeiraParoleNão tenho nenhuma dúvida de que esta é uma daquelas bandas que prometem algo relevante para os próximos anos. Mesmo com a tarefa inglória de abrir o festival, o grupo foi beneficiado pela legião de fãs de metal que se acotovelou nos primeiros instantes do Mada. O som, como sempre, estava uma bosta no ínicio. No entanto, o grupo fez um bom show, competente pra caralho e que, com a devida atenção, poderá render mais ainda. Parabéns pros caras. Funk Samba SoulUm nome a ser lembrado nos próximos meses. O grupo, estreante em plagas potiguares, fez uma ótima apresentação. O bom set de percussão e a insandecida guitarra de Frank Boy fizeram a diferença na apresentação. O público, por sua vez, por se tratar de uma banda que começa a galgar espaço, não entendeu bem o recado (novamente o som contribuiu para isso), mas, desde já, vale conferir o CD Descarrego, distribuído durante o festival. Uma das promessas para este ano, sem a menor dúvida. Star 61Gosto muito da sonoridade de grupos como Smiths, Suede, Roxy Music e outras. Talvez tenha sido isto o que me fez simpatizar com os caras do Star 61. A banda da Paraíba foi uma surpresa: carisma, bons sons e uma ótima presença de palco. Alguém - creio que Alex de Souza - falou que o cara parecia o Frangolino, da turma do Pernalonga. A banda do Frangolino foi uma das boas coisas da noite. Jane FondaTudo bem, Tudo bem... os caras têm um público bastante expressivo. Por sua vez, não vi aquela velha essência que faz com que uma boa banda não seja apenas mais uma. Sou sincero em afirmar que não senti nenhum entusiasmo com o PopRock dos caras do Jane Fonda. Espero que, com o tempo, o grupo desenvolva algo, digamos, musicalmente mais expressivo que o que foi apresentado. Por sua vez, os caras têm um domínio considerável de seu público. Ponto pra eles. Peixe CocoComo no anterior, nada demais. A sonoridade PopRock continua a dar nos nervos. Vi o show dos caras - uma significativa boa presença de palco -, mas não vi nada que se configurasse como, digamos, relevante. BugsO fato dos caras serem muito amigos meus, não interfere o riscado. Gostei do show, mas, como no ano passado, percebi que a coisa toda parece não funcionar muito bem cá por estas plagas. Acredito que isto termina respingando na performance de Joab, Denilton e Paolo no palco. No mais, a competente apresentação dos caras que, na minha opinião, estão à frente da melhor banda de Stone Rock cá destas paragens. Vida Longa ao Rock'n'roll. Agregados FDR"Agregados chegou, ho, ho, prá ficar...". Preciso dizer algo mais? Apesar do que alguns pobres mortais andam dizendo por aí, Agregados foi o lance do Mada 2004. A rapaziada colocou os colegas de ofício no bolso. Ponto pros caras que têm apostado em uma sonoridade que exala verdade em cada groove. Força pra rapaziada. Sepultura/RappaNão há muito o que comentar: competentes e nada mais. Foda-se a segunda noite do Mada...Terceira noite ou O melhor ficou para o finalRavanaQuem sabe, em uma outra oportunidade, com uma proposta menos batida, o pessoal do Ravana dê mais sorte. Rock'n'Roll insosso: mais parecia um clone do Hole cantando em português. AllfaceNão adianta: PopRock é uma praga mesmo. Letras tão profundas quanto um pires - devidamente envoltas em um calhamaço sonoro inexpressivo. Na minha opinião a banda deveria dar uma reavaliada em sua proposta: não dá para continuar apresentando uma sombra parca de coisas como CPM22 ou coisa que o valha. Descartável e olhe lá... The AutomaticsA coisa melhorou substancialmente com os Automatics. Alexandre e Henrique mandaram muito bem durante a apresentação. Foi um dos momentos mais interessantes do festival: era possível observar claramente como uma boa performance, aliada a uma grande saraivada de acordes distorcidos, é capaz. Apesar do que dizem alguns, foi neste instante que o "pessoar da impreensa" passou a olhar com maior atenção o que acontecia nos palcos. The HonkersUm Iggy Pop latino e insano subiu ao palco para nos presentear com uma boa dose de Psychobilly (quem não souber o que é isto, tem que escutar The Cramps, Reverend Horton Heat e outros). O show dos Honkers foi um petardo nas fuças. GramTenho o disco e, ao contrário do que vêm dizendo, não acho a banda nada parecida com os Hermanos. Se brincar, a melhor apresentação de toda a noite. Ótimas canções, revestidas por uma sonoridade que há muito não escutava. Ponto pros paulistanos. Mad DogsLançaram o disco... legal... o show foi, na melhor das hipóteses, "certinho". Nada mais, para não chatear. The WalkmenPena que o público de Natal não estava preparado para provar deste preparado roqueiro de primeira. Um dos melhores shows que já vi, sem muito esforço. O baterista da banda é um pequeno animal que merece algumas correntes, graças a sua performance. Foi engraçado ver a banda olhando para o publico, digamos, "petrificado" do festival. Paciência. Jorge Ben JorNão vi muito e não teve nada de diferente do habitual. Saímos antes, pois tínhamos um encontro com um poste... |
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| Alexandre[15:41]
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| Voltando depois de um longo e tenebroso inverno... |
Pois bem, depois de todos os eventos que terminaram por me jogar em uma ressaca moral sem precedentes, estou de volta. Na verdade, decidi voltar a escrever sobre alguns temas que me são muito caros - música, livros e a vida louca que nos cerca. Com meu irmão, como todos já devem saber, tudo está bem (na medida do possível). Ele está, pelo menos isto é visível, um tanto quanto chateado com sua condição, mas, como não poderíamos prever o que aconteceria, resta somente a resignação e aceitar a "pedra no caminho". Para esta levanto o pé, preparo o chute e mando-a pra frente: foda-se. Não comentei o Mada 2004 - talvez nem queira -, mas, como o ofício exige, pretendo dizer o que realmente importou durante o festival. Os ingredientes descartáveis do evento, somente os cegos não viram. Paciência. PS. Obrigado a todos que pensaram e se preocuparam com Alex e comigo. Agradeço os votos de recuperação e, como disse, bola pra frente. |
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| Alexandre[15:31]
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