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24 Maio 2004
Aos defensores da verdade...
"Não é quando é perigoso dizer a verdade que ela raramente encontra defensores, mas sim quando é enfadonho". Para você, caro leitor anônimo, um pouco de Nietzsche. Aquele que certa vez disse que deveríamos destruir os templos cristãos e criarmos cobras neles. Concordo com ele em gênero, número e grau: toda a doutrina na qual você acredita deveria, sem mais delongas, ser lançada aos cães.
Em nome do teu Deus - que não é e nunca será o mesmo que o meu - rios de sangue foram derramados, mães foram separadas de seus filhos, civilizações foram destruídas, povos foram exterminados e outras "benfazejas" ações. Amigo, sua noção de Deus é como um aguilhão: um dia este irá perfurar tua carne e mostrar o quão imbecil foi a tua escolha. Dane-se você e seu Deus dos escravos, dos idiotas, dos sem-alma e sem destino. Caminhe junto a ele rumo ao obscurantismo que existe por sobre sua sombra. Ao final, meu caro, de você somente restará a sombra e uma noção parca de santidade.
"O meio mais comumente empregado pelo santo e asceta, para tornar a própria vida ainda suportável e interessante, consiste na guerra ocasional e na alternância de vitória e derrota. Para isso precisa de um adversário, e o encontra no chamado 'inimigo interior'. No mundo não existe religião suficiente nem para destruir as religiões", acorde para a existência, estúpido. É com estas singelas frases - de alguém que venero mais que o teu nazareno -, que te digo: à sarjeta com a tua fé, imprestável.
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Alexandre[20:32]

Um comentário só para você
Para você, singelo leitor que deixou uma mensagem em meu espaço de escrita. Não somos frutos de "geração espontânea", mas, por sua vez, não somos obra resultantes dos humores de um Deus qualquer. Não somos fruto de um criacionismo imbecil.
O seu Deus, como você tanto o carrega, como a cruz do Nazareno, sem que saíba que esta é um estorvo para a humanidade como um todo, é um engodo. Uma convenção originada pela mente de outros - iguais a você - sedentos pelo controle ou ávidos por martirizar as massas.
Meu caro, não discuto fé. Os fiéis são imbecis por natureza, como você claramente transparece. Não tenho a visão parca de um doutrinado hipócrita, incapaz de enxergar um mundo além de suas páginas bíblicas - certamente escritas por algum pária, igual em desgraça, há alguns milhares de anos.
Dane-se você, seu Deus e toda esta conversa mole de beira de templo. Eu sou o meu tempo; eu sou o meu templo; sou o senhor do castelo, no qual hipócritas não têm acesso.
Atire suas pedras, meu caro: elas não me preocupam. No final, quando a terra nos cobrir você terá a sua revelação: você é nada e não mais que isso.
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Alexandre[20:23]

23 Maio 2004
Um poste no meio do caminho...
Senhores, devo ficar sem escrever algo neste espaço durante algum tempo. Tudo porquê havia um poste no meio do caminho enquanto eu e meu irmão, Alex, voltávamos do Imirá - onde se realizava a última noite do festival Mada 2004. O famoso e perigoso cochilo foi o responsável por tudo: dormi ao volante, subi o meio-fio e bati em cheio em um poste de alta-tensão na Estrada da Redinha. Meu irmão, que vinha deitado no banco traseiro, foi lançado à frente pelo impacto
No meu caso, a coisa não foi lá muito grave, mas ainda inspira cuidados: apesar de estar com o cinto de segurança e tudo mais, o banco do carro me fez ficar grampeado no volante. Já Alex, para minha infelicidade - não bastasse o fato de ter transformado o carro dele em um maracujá - está internado na Casa de Saúde São Lucas. Ele veio para casa e tudo mais, mas queixou-se de dores nas costas e dormência no braço (não me perguntem qual). Parece que a coisa é mais séria do que se imaginava - o médico disse que ele nascera de novo e tudo.
Estou preocupado com tudo isto, não queria ter sido o responsável por tudo isso. Mais chato, na verdade, é ter de aguentar as pessoas ligando para mim para dizer "Deus isso; Deus aquilo". Ora, se Deus realmente se importasse com algo não teria contribuído com isto e me feito passar um dos mais odiosos dias da minha breve existência.
Espero que Alex não tenha maiores complicações - não gostaria de vê-lo mal por minha culpa. Eu o amo demais para isso e não suportaria a idéia.

Bem, é isso...

Só mais uma coisa: QUE O MADA SE FODA!
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Alexandre[18:21]

19 Maio 2004
Das agruras de ser um repórter razoavel...
Quando escolhi ser jornalista - e olhe que isto já faz um bom tempo e foi algo totalmente intencional -, sinceramente sabia que teria alguns abacaxis para descascar. Por sua vez, algumas vezes a labuta torra a minha paciência.
Não bastasse ter que aturar alguns colegas às turras com sua própria existência jornalística, tenho que cumprir algumas pautas que, não fossem a complexidade relativa, são de uma repetição deveras desnecessária.
Hoje, pra variar a dose, fui "abençoado" com uma pauta inusitada: passar uma noite no Hospital Walfredo Gurgel e acompanhar a rotina do maior hospital-geral do Estado. Putz, seria uma ótima pauta, não fosse o fato de ter que passar a noite inteira dentro daquele complexo.
Sinceramente, poderia escrever uma matéria sobre os problemas no hospital com uma mão amarrada às costas. Não há nada que ofereça a novidade - o sucateamento da saúde pública no país e em Natal, especificamente, é de domínio público - necessária a uma matéria mais, digamos, esclarecedora.
Tentarei, na medida do possível, mudar um pouco a regra das matérias já feitas sobre o assunto. Quem sabe algo no estilo "jornalismo literário" sirva pra melhorar a abordagem.
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Alexandre[19:54]

18 Maio 2004
Gram... Grande Banda...


Gram
Gram


O impagável trocadilho acima serve para alertar os leitores que, sim, gostei muito do som desta banda paulista que se apresentará no próximo sábado, dentro do Mada 2004. Em uma definição bastante rápida, os caras do Gram poderiam ser definidos como uma versão tupiniquim mal-humorada do Weezer.
Muito bacana, por sinal. Letras sacadas, riffs bastante bacanas de guitarra e um trabalho vocal que lembra muito o Nasi (Ira!) em tempos passados.
Os destaques, na minha singela opinião, fica com as músicas Reinvento, Seu Troféu e Faça Alguma Coisa. Um disco rico em timbres e levadas esquisitas que poderá catar o ouvinte de primeira.
O álbum de estréia homônimo dos caras, com dez músicas que caem bem aos ouvidos mais atentos e domesticados, é bastante interessante e desde já recomendado por este que vos escreve.
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Alexandre[17:26]

09 Maio 2004
"Cadê aquele disco?", pergunta Fred 04


Mombojó
NadadeNovo


Uma situação no mínimo esquisita. Um belo dia, depois de escursionar com sua banda pela região sudeste, Fred 04, vocalista e letrista do grupo Mundo Livre S/A, decide dar uma parada e relaxar em sua casa no Recife. Vai até a prateleira - onde deixa boa parte dos seus discos e CDs - e procura um álbum do Sonic Youth.
Ele simplesmente não sabe o porquê, mas quer desesperadamente escutar alguma música dos caras. Insight ou coisa que o valha, finalmente ele encontra o disco. Ao abrir a caixinha do CD dá de cara com a realidade: um amigo pra quem ele havia pedido emprestado o disco Meddle, do Pink Floyd, levara aquele álbum do Sonic Youth, que ele tanto queria escutar por engano, dentro do estojo do disco do Floyd. Sem mais o que fazer, Fred 04 torna a escutar Meddle e, como que de repente, percebe, de relance, caneta e papel ali, bem próximo, sobre a mesa de centro. "O resto é por sua conta", exclama a consciência do letrista.
Toda o relato fictício acima serve, na minha opinião, para ilustrar a sensação que tive ao ouvir o disco de estréia dos pernambucanos do Mombojó, Nadadenovo - assim mesmo, tudo junto. Neste trabalho, que periga ser uma das grandes coisas deste ano, Felipe S, Samuel, Vicente Machado, Marcelo Machado, O Rafa (esqusitices à parte), Chiquinho e Marcelo Campello demonstram que tudo ainda pode ser reciclado.
Não é, como alguns poderão taxar, mangue bit: a rapaziada passa além. Músicas como Deixe-se Acreditar, Nem Parece, A Missa, para ficarmos em apenas três delas, demonstram que os caras têm tudo para arregaçar e mostrar com quantas músicas se faz um ótimo disco. O disco dos caras integra a boa leva de discos que vêm sendo distribuídos pela revista OutraCoisa, do insano Lobão. Uma boa aposta, diga-se de passagem. Monbojó e seu Nadadenovo, desde já, são indispensáveis à qualquer cdteca que se preze. Compre-o e faça suas considerações.
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Alexandre[23:41]

05 Maio 2004
Algo de muito podre no Reino...



Engraçado como a imagem acima soa atual. Esta foi a capa da revista MAD, se não me engano, de abril de 1971. Com o rumo tomado pelos recentes episódios envolvendo os EUA e o Oriente Médio, nada me pareceu mais relevante. Por sua vez, esta mesma imagem serve para ilustrar um considerável absurdo: o novo filme de Michael Moore, Fahrenheit 9/11 (outra patada no pé do ouvido de G.W. Bush), teve sua distribuição pela Miramax proibida pela Disney. Hipocrisia pura e sem gelo. Tudo porque o filme fala das ligações não lá muito interessantes entre Bush, amigos e grandes famílias arábes - inclua na lista os Bin Laden.
No final, o EUA ficaria melhor se baixasse suas portas para balanço. Tortura, guerras e censura: parece país de terceiro mundo.
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Alexandre[16:26]

N?o gostei...
Talvez sequer proteste; talvez, mais ainda, n?o mande o paraninfo da solenidade de formatura no Curso de Comunica??o Social tomar naquele canto enquanto aperto sua m?o. Por sua vez, como n?o poderia deixar de ser, preciso deixar clara a minha indigna??o por ter um imbecil ocupando uma atribui??o que muitos consideram deveras importante.
Bem que gostaria de ter repensado antes minha decis?o em participar desta solenidade. Talvez, se assim o tivesse feito, n?o estaria t?o decepcionado. Meu grand finale e tenho que aturar a idiotia em pessoa como paraninfo. Algumas pessoas n?o t?m a menor no??o do qu?o importante ? ter culh?es e acreditar que nossas convic??es s?o mais importantes que qualquer outra.
Justamente elas, que nos fazem caminhar sempre com o olhar e nariz em riste. Ainda estou refletindo sobre o caso, mas, embora queira, talvez n?o proteste da forma como gostaria.
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Alexandre[13:20]

01 Maio 2004
Kill Fucking Bill



Fazia muito tempo que não me divertia com um bom filme. Acredito que uns bons meses. Mas, como aqueles comerciais de TV muito chatos, "minhas preocupações acabaram: conferi o novo e revolucionário Kill Bill, de Quentin Tarantino". Para alguns, as palavras que serão aqui empregadas para homenagear o filme certamente se mostrarão exageradas; forçadas, até. No entanto, o "4º Filme de Quentin Tarantino" é forte candidato a melhor filme de 2004, disparado.
Dizem que existem, em todo o filme, oitenta citações a filmes que Tarantino assistiu em algum momento de sua vida e homenageou/plagiou neste Kill Bill. Exageros a parte, o certo é que com este filme o diretor sepultou seus críticos de forma definitiva - principalmente aqueles que davam por certa sua decadência pós-Jackie Brown. Ledo engano: Kill Bill mostra um Tarantino mais maduro; com maior liberdade e visível anseio de transgredir.
Para alguns - nestes me incluo - Kill Bill chegou muito próximo da meta estabelecida por Pulp Fiction. Talvez tenha sido a escolha do diretor em apresentar uma obra dividida em duas partes; talvez por uma fluidez mais acentuada do primeiro em relação ao segundo; talvez tenha sido a postura iconoclasta pós-moderna - como ilustrou Aristeu ao comentá-lo. Na verdade, creio que tenha ocorrido um pouco de cada.
Kill Bill demonstra, mais uma vez, que ainda é possível conceber cinema de qualidade e inteligência, sem fazer uso do cadafalso. As escolhas de Tarantino - desde a história, passando pelo elenco, flertando com a trilha sonora e terminando com as citações - acertam no alvo: tomam de assalto o espectador nos primeiros segundos de projeção. Confesso que fiquei muitíssimo satisfeito com este filme e, sem dúvida alguma, desde já recomendo.
Kill Bill na cabeça.
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Alexandre[23:09]

Antes que me esqueça
Não pude atualizar por, digamos, alguns problemas operacionais. Por sua vez, acredito, amanhã estarei colocando alguma coisa. Sabe como é, muito aconteceu nesta semana, não pude transmitir no prazo devido, mas preciso deixar tudo registrado aqui.
Ainda não sei por onde começar, mas, quando o fizer, será uma maravilha.

See Ya
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Alexandre[17:28]