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| 28 Setembro 2006 |
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| Então, chegamos aos 4 anos... |
Ela, quando começamos, disse ter medo de que a coisa toda não viesse a dar certo. Ela errou. Kênia errou feio, pra ser mais exato. Hoje completamos quatro anos de namoro. "Um primeiro mandato", costumo dizer para deixá-la "fula" da vida. Não só flores, mas, com o tempo, os espinhos a gente tirou de letra. Não consigo imaginar os próximos anos. No entanto, mesmo não podendo prever o que virá, sabendo que ela continuará comigo - como amiga, mulher e amante - tudo fica mais fácil. Há algum tempo não escrevo por aqui, é verdade. O tempo, curtinho e cruel, as vezes dificulta as coisas. Mas, para Kênia, não existem desculpas. Quatro anos passaram com este sábado. Quatro anos desde a tarde em que, conversando e acertando os ponteiros em uma poltrona de livraria, decidi que Kênia seria a mulher de meus dias e noites. Parabéns, meu amor... Que venham muitos mandatos neste regime que tanto amo... Alexandre |
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| Alexandre[18:04]
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| 30 Julho 2006 |
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| Sieg Heil, Israel! |
A saudação acima vai para o Estado de Israel; um homicida nato, diga-se. Foram, pelo que li até agora na imprensa, de uma só vez, 56 vidas tomadas de assalto. Sim, os israelenses estão demonstrando ao mundo, em um só dia, que merecem a condição de Estado-acuado mor. Gosto de ver o Estado de Israel afundando em um lodaçal tão grande. Espero, com todo o coração, ver o dia em que a resposta à arrogância e à paralisia mundial se dê na forma de uma conjunta resposta do mundo árabe. É irônico, para não dizer hilário, ouvir o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, afirmar que as dezenas de civis que morreram foram vítimas do Hisbollah; que este fazia uso destas como escudos-humanos. Israel e seus dirigentes, como afirmações como esta, desafia a nossa capacidade de raciocínio. O medo, pelo que vejo, continuará a imperar no Oriente Médio. A existência, do modo como está constituída, do Estado de Israel é um risco à estabilidade e convivência naquela região do planeta. Lembro de um dia aqui mesmo ter dito que aquilo que os israelenses praticavam com o povo da Palestina era equivalente às humilhações que o povo judeu sofrera nas mãos dos nazistas; oprimido aprendera como domesticar cães com os opressores. Hoje, neste dia trágico em que pelo menos 37 crianças perderam suas vidas diante da estupidez, com toda a raiva que tenho deste homicida constituido, saúdo a hipocrisia, a insensatez, a arrogância e o silêncio: Sieg Heil, Jerusálem! Sieg Heil, Tel-Aviv! Sieg Heil, Israel! PS. Cuspa no chão após esta saudação... |
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| Alexandre[20:36]
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| 13 Julho 2006 |
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| Primal Scream em alto, classudo e bom som... |
 Demorei algum tempo para entender porque Exile on Main Street, dos Rolling Stones, é considerado o melhor disco da banda; um clássico absoluto, para muitos. Na verdade, de uns seis anos pra cá é que, sem pestanejar, aponto ele como um dos melhores discos do século que passou. Pode espernear, está tudo ali: toda a matéria-prima que transformou os Stones na "maior banda de Rock'n'Roll de todos os tempos". Deixemos, por ora, os Stones de lado. O assunto aqui será o novo disco do Primal Scream, Riot City Blues, álbum que, de longe periga ser um forte candidato a melhor de 2006 - juntamente com Broken Soldier Boy, do Raconteurs, Rather Ripped, do Sonic Youth, e, correndo por fora, The Ballad of Broken Seas, da Isobel Campbell (ex-Belle & Sebastian) e Mark Lannegan (Queens of Stone Age e Screaming Trees). O disco de Bobby Gilespie & Cia é um dos mais inspirados da lista citada; é possível sentir algo pulsando quando se escuta o álbum pela primeira vez...vai por mim. Fazer-nos pulsar é uma das armas do Primal Scream, diga-se. Mesmo em seus primeiros discos pelo selo Creation, podíamos imaginar o porquê da opção de Gilespie em deixar o Jesus & Mary Chain - entender esta opção, no entanto, é outra história. Muita água passou por baixo da ponte enquanto o Primal Scream emendava um disco atrás do outro. Alguns menos inspirados que outros, diga-se - escute os dois primeiros, Sonic Flower Groove (1987) e Primal Scream (1989), e entenderá o que quero dizer (o segundo pode ser encontrado na Velvet Disco, vale lembrar). Na verdade, o grupo especializou-se em surpreender seus admiradores, detratores e afins. Screamadelica, de 1991, por exemplo, foi o motor de uma guinada na carreira da banda com seu convite aos delírios psicodélicos regados com sobras do Summer of Love. Give Out, but Don't Give Up (1994), o álbum seguinte, denunciava que a banda surpreenderia com uma nova e abrupta mudança - sairam os timbres psico-dançantes e entrou uma releitura dub do bom e velho Rock'n'Roll: Vanishing Point (1997) Com a dobradinha para ninar insanos XTRMNTR (2000) e Evil Heat (2002), ganhamos a trilha sonora pós-moderna para ninar insanos (Iggy & Stooges que me perdoem, mas...). O jogo estava ganho para o Primal Scream com estes dois discos, mas, depois de um álbum ao vivo e uma coletânea de hits, eis que a reinvenção bate a porta de Gilespie. Vamos voltar aos Stones agora: Riot City Blues é um tributo ao Rock'n'Roll classudo de Jagger e Richards; à melhor fase da banda. Impossível escutar Country Girl, faixa que abre o novo trabalho do Primal Scream, e não associá-la como prima distante (mas gostosinha) de Rocks Off - na minha opinião, uma genial faixa de abertura. O flerte com os Stones é antigo - Rocks, do já citado Give Out, But Don't Give Up é um dos vários tributos que Gilespie e asseclas prestaram. Se interessar, vale uma dobradinha, depois de ouvir Riot City Blues, com Sticky Fingers e Exile on Main Street. Não vou listar aqui as canções de Riot City Blues; não vou apontar o brilho que cada uma delas esconde. Escute-as; tire suas conclusões. Aproveite... |
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| Alexandre[19:13]
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| 29 Junho 2006 |
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| Matisyahu parece interessante... |
 O cara se veste como um rabino, faz dub e, pasmem, foi a sensação do cenário alternativo em 2004. Matisyahu é Matthew Paul Miller, um estudante da Torá que, de uma hora para outra, descobriu no Dub uma boa ferramenta propagar suas idéias. Membro de uma comunidade judáica cujas origens remotam à Bielo-Rússia (o Chabad Lubavitch Hassidista, para ser mais específico), Matisyahu vive em Nova York e tem-se transformado em uma sensação instantânea.Sim, por mais incrível que possa parecer, o som do camarada é bacana. Em 2004, com o lançamento de Shake Off The Dust...Arise, primeiro trabalho do cara, as críticas foram categóricas ao afirmar que sua banda seria a coisa mais excitante na música daquele ano - dê um desconto, mas o disco é bem bacana. Agora, pelo que pude ouvir (e ver) o cara tem-se transformado em sensação também no mainstream. Com um clipe em alta rotação na MTV Americana, Youth, do homônimo novo disco (o quarto, contando os remixes), Matisyahu tem tudo para transformar-se em algo ainda maior. Letras politizadas, carregadas com mensagens sociais e referências à cultura judáica. Esta são as armas de Matisyahu: um figurinha que, na maior, lembra, musicalmente, um Manu Chao carregando a Torá no juízo. Fico imaginando aquele soldado judeu em um tanque na fronteira da Faixa de Gaza mandando ver em um veículo palestino enquanto escuta e cantarola Youth. Que meigo... |
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| Alexandre[17:45]
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| 14 Junho 2006 |
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| Festival DoSol 2006 |
Talvez até alguém discorde, mas vendo a programação do Festival DoSol deste ano dá até pra pensar que o Mada vem sofrendo de uma certa "obesidade mórbida". Exemplo? Tá, a programação deste ano teve momentos realmente inspirados - tirando, claro, a exagerada e blasé adoração ao cenário carioca -, mas, no geral, faltou, como poderia explicar, mais "borogodó". Isso resume. O que nos leva a refletir que pensar pequeno não é pecado. A prova disso é o crescimento qualitativo que o DoSol ganhou no último ano. Algumas atrações, convenhamos, não são lá essa coca-cola toda, mas, mais uma vez, no geral, o DoSol mais acertou que errou. É de público conhecimento a minha discordância com Anderson Foca no que se refere às predileções musicais e à "particular" sonoridade das bandas de seu selo - algumas sofríveis; outras nem tanto - mas, é preciso dar a mão a palmatória: o cara sabe das coisas. Tanto sabe que, com menos artilharia financeira que o seu equivalente, o Mada, o Festival DoSol apresentou uma programação que, de longe, agradará todos. Até os mais xiitas como eu. Vez em quando, para manter a linha, é preciso reduzir um pouco as calorias. Voltar a pensar com menos alarde, acredito, seria interessante para o Mada. Não que seja difícil agradar à multidão, mas não se pode esperar que, agradando gregos e troianos, os persas também fiquem satisfeitos. Ao Mada, isto me soa bem claro, para 2007, restará pensar melhor seu futuro. Enquanto 2007 não vem, abra bem os olhos e sinta o gostinho do que vem por aí para seus ouvidos, caro. Uma observação: não sei qual foi o acerto, mas, ao menos para mim, seria de bom tom que outras bandas locais pudessem entrar nesta roda do Banda Antes (a não ser, claro, que o lance tenha rolado numa espécie de "acerto" entre Foca e a MTV. Ainda assim, acredito, poderia ter rolado uma " brodage"). ESCALAÇÃO FESTIVAL DOSOL 2006PRÉVIA DO FESTIVAL DOSOL E GRAVAÇÃO DO BANDA ANTES MTV Domingo, dia 23 de julhoROCK ROCKET (SP) DANIEL BELEZA E CORAÇÕES EM FÚRIA
FEICHCLERS (PR) VANGUART (MT)ZEFIRINA BOMBA (PB) ECOS FALSOS (SP) ALLFACE (RN) FESTIVAL DOSOL Sexta, dia 04 de agosto21H - POETAS ELÉTRICOS (RN) 21H30 - SIMONA TALMA (RN) 22H - PARAFUSA (PE) 22H30 - MAD DOGS (RN) 23H - SEU ZÉ (RN) 23H30 - BOMSUCESSO SAMBA CLUBE
24H - DUSOLTO (RN) 24H30 - EXPERIÊNCIA ÁPYUS (RN) 01H - LUDOV (SP) 01H 40 - MUNDO LIVRE (PE) Sábado, dia 05 de agosto16H30 ? DRUNK DRIVER (RN) 17H - DISTRO (RN) 17H30 - DORIS (RN) 18H - DEADFUNNYDAYS (RN) 18H30 - 2FUZZ (CE) 19H - CARFAX (PE) 19H30 - AUTOMATA (BA) 20H - BUGS (RN)
20h30 ? BOIS DE GERIÃO (DF) 21H - WALVERDES (RS) 21H30- REVOLVER (RN) 22H - MEMÓRIA ROM (RN) 22H30 - MQN (GO) 23H - ZERO8QUATRO (RN) 23H30 - AUTORAMAS (RJ) 24H10 - FORGOTTEN BOYS (SP) Domingo, dia 06 de agosto
16H 30 - FLIPERAMA (RN) 17H - RAVANEZ (RN) 17H30 - POTS (RN) 18H - DEAD NOMADS (PB) 18H30 - KARPUS (RN) 19H - ASTRONAUTAS (PE) 19H30 - ALLFACE (RN) 20H - ADITIVE (SP) 20H30 - JANE FONDA (RN) 21H - DEVOTOS (PE) 21H40 - DEAD FISH (ES) |
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| Alexandre[18:32]
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| 10 Junho 2006 |
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| O Castigo é um dos lados da moeda... |
Dostoievski, Sofócles e Woody Allen combinados. Assim é Match Point, um dos filmes mais interessantes deste ano e que chegou às locadoras recentemente. Não é nenhum marco na cinematografia do diretor; não revolucionará a sétima arte - não tem pretensão de fazê-lo, é óbvio. No entanto, com Match Point, Allen resolveu desvencilhar-se um pouco de seu universo particular - as comédias e gags mais elaboradas - e partir para, digamos, um novo objetivo. O último filme verdadeiramente bacana de Allen, Celebridades, vejam bem, apesar de interessante, não chega a ser tão bacana assim. Desde então, mesmo em Trapaceiros, a mão do diretor de Hannah e Suas Irmãs e A Última Noite de Boris Grushenko não parecia a mesma; sempre faltara algo para que, em seus projetos, ele pudesse atingir em cheio o gosto de seu público. Em Match Point, por sua vez, tudo leva a maestria. A história, uma combinação de elementos do imaginário de Dostoievski - Chris Hilton é a melhor encarnação de Raskolnikov (sem compartilhar sua sorte, claro) já retratada nas telas - com elementos trágicos clássicos (não por acaso a citação a Sofócles, um dos pilares da tragédia grega, é providencial para compreensão da trama e seus arremates finais), é cativante até seus minutos finais. Portanto, Crime e Castigo é um importante condutor para a apreciação do longa de Allen. Como no livro de Dostoievski, há uma, acredito, intencional simetria nos dois momentos principais da trama. A ascensão e "queda" de Chris Hilton (Johnathan Rhys-Meyers) - um ex-tenista que cai, após ser contratado para ministrar aulas em um clube, nas graças de uma família tradicional londrina - e sua paixão por uma aspirante a atriz Nola Rice (Scarlett Johansson). Diferente do Raskolnikov original, quando submetido a pressão que termina por privá-lo daquilo que mais queria, Hilton não recua; não exibe arrependimento e, como a antitese de seu personagem inspirador, encontra justificativa para seus atos - os quais, claro, você somente saberá se assistir o filme. Não por acaso, a obra e o nome de Dostoievski passeia por todo Match Point - com sua indelével marca, diga-se. O tema de Crime e Castigo, por sua vez, não é novidade para o diretor Woody Allen: ele já havia feito uso do universo criado por Dostoievski em um outro longa, de 1989, Crimes e Pecados, o qual merece também atenção. |
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| Alexandre[19:02]
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| 04 Junho 2006 |
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| Voltando à carga... |
Pois é. Depois de um bom tempo sem escrever absolutamente nada - fazendo uso (para o "cumprimento de tabela") do YouTube - pretendo retomar este blog. A ausência, pra falar a verdade, foi pura e simplesmente preguiça. Não tinha muito sobre o quê escrever - senão as mesmas e habituais coisas que acontecem por aqui. Como disse, nada de mais. Como tenho me dedicado à DZ3 e à algumas mudanças em curso na minha vida, pretendo reorganizar as coisas por aqui e prosseguir com esta história. Como disse há alguns meses, pretendo pôr no ar o website que venho elaborando dentro de alguns dias. Não, não é algo como "Chinese Democracy", do Guns'n'Roses; o projeto está quase pronto, mas, por falta de alguns ajustes, tem demorado mais que o esperado. No últimos meses, por sua vez, depois de encontros entre seus colaboradores, surgiu um outro espaço interessante para os que pretendem saber um pouco mais sobre o Rock'n'Roll do RN: o RN Rock. Mesmo com alguns problemas no percurso - como conflitos eventuais desnecessários e outras besteiras - o site ( http://www.rnrock.com.br) vem ganhando fôlego (prova disso foi a cobertura do Mada 2006). Estou colaborando, juntamente com Kênia e tantos outros amigos, para que a coisa deslanche e mais uma frente de reflexão sobre a produção local surja. Ave Cinemargh!Não só disso vive Natal, meus caros. Tivemos a "benção" do Cinemark. Sim, agora temos cinema. Os filmes são, em sua maioria, mais do mesmo, mas, sim, temos salas de cinema bacanas. A amargura quanto aos filmes exibidos é justificada. Como muitos, esperava mais ousadia. Disse isso em uma coluna recente no Diário de Natal. "Ousar exibir outros filmes": falta isso aos complexos locais. Para muitos, o público não estaria preparado para filmes que fujam ao hermético formato hollywoodiano. Usando a língua de Shakespeare: "bullshit". Apostar em outros segmentos cinematográficos e filmes menos fáceis poderia contribuir para aproximar um outro público; mais exigente, é verdade, mas que está interessado em gastar para ter, em uma sala de cinema, uma experiência da qual possa se orgulhar. Dedicar uma sala à exibição de filmes de arte ou coisa que o valha, modificando um pouco o panorama atual, significaria, esta é uma opinião, apostar em algo além, garantindo assim uma fatia de um público que anda ausente das salas. Cinemark e Moviecom, com seus olhares equivocados, terminam abrindo mão de um bom dinheiro. Ambos os complexos, pelo menos aqui em Natal, pecam pela avidez. Espero, como esperei por mudanças, que os burros de ambos não parem na água. Seria engraçado ver algo desse tipo. |
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| Alexandre[14:36]
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| 24 Janeiro 2006 |
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| Besta é tu; Besta é tu... |
Não fui ao show do Los Hermanos. Pressão demais. Agora, foi divertido saber de algumas histórias sobre a noite e imaginar como poderia ter sido se tivesse ido. Por exemplo: ver os fãs sendo recebidos por um " besta é tu, besta é tu" dos Novos Baianos seria uma benção. Não consigo conceber fãs mais estúpidos - e olha que gosto do primeiro e do segundo discos das "eminências barbudas pardas da musicalidade global tupiniquim". Tão estúpidos que, beirando a mais completa falta do que fazer, imploraram por canções aos irônicos-sádicos autores: - Pierrot! - Pierrot! - Pierrot! - gritava a turba. - Podem esperar... - disse um dos chatos barbudos. - ... sentados! - completou o outro barbudo chato. Acho que a quantidade de pêlos dos rapazes deve estar prejudicando o raciocínio lógico; melhor: os elementares "buarquianos cro-magnon" devem ter regredido sensorialmente e, desde a "eca-tombe" anna-juliana, perderam o fio da meada. Tudo bem o mau humor dos gênios da raça; tudo bem pensarem os fãs como idiotas descerebrados - até Renato Russo achava isso (além do xiitismo dos admiradores, os mocinhos tem muito mais coincidências com o autor de " Eduardo e Mônica"); tudo bem quererem empurrar goela abaixo um disco chato de dar dó; mas ficar destratando os que pagam para assistir seu chato lamento é ridículo. Não fui, repito, para tal bosta monumental. Mas, pelo que me disseram - inclusive os fãs - bem que gostaria que algum cidadão lançasse uma lata de cerveja em um ângulo ideal para estraçalhar metade daquela barba estúpida do Marcelo Camelo, do Rodrigo Amarante ou daquele afetadinho boçal que fica tocando aquele teclado de churrascaria (o tal do Medina). O público-fã, por sua vez, deveria ter uma atitude mais expressiva - como um cara que, soube, ficou cantando, enquanto os rapazes iam embora e os fãs imploravam pelo retorno: - "O Silvio Santos, lá, lálálálálálá, lálálálá, lálálálálálá..."; "Pedro de Lara, lá, lálálálálálá, lálálálá, lálálálálálá..." - esta, sim, se ocorreu, uma das boas sacadas da noite. No fim, como bons estúpidos masoquistas, os fãs que idolatraram a noite de "sadismo barbado" bem que gostariam de outra session. Santa estúpidez, Robin. Pra completar, ainda há os imbecis que, sentidos por não terem tocado o "saco escrotal da genialidade barbudal" ficam lamentando a própria sorte por aí. Por favor... tietagem tem límites. |
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| Alexandre[18:31]
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| 22 Janeiro 2006 |
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| Wonder Wildner |
Tá. O público era composto por uns gatos pingados que, alheios à missa pagã que aconteceria no sábado - Los Hermanos, no Showbar, para mim, é o melhor exemplo de celebração à inutilidade neuronal -, estiveram dispostos a conferir o repertório, diga-se, inusitado de Wander Wildner. A noite, ao menos no meu caso, começaria com algumas cervejas, conversa fiada e, completando a tríade, ansiedade: tudo na mais completa e natural normalidade. No DoSol, lá pelas 23h, começou a trilha da noite de sexta-feira. Primeiro, com o Montgomery. Gosto dos caras, mas tenho que observar que as apresentações da banda são, na maioria das vezes, milimetricamente regulares. Falta, na minha opinião, um punch mais significativo. É comum - olha que fui a muitas apresentações - uma certa apatia por parte do público; uma catarse em ritmo lento. Um pouco de benzedrina faria uma diferença - como os Beatles em Os Cinco Rapazes de Liverpool. O público respondeu bem à apresentação. Em seguida, Wander Wildner. Primeiro ele subiu ao palco com uma guitarra em punho e garrafinhas de água mineral. Para um cara que diz "não conseguir ser alegre o tempo inteiro" e que vai se "entorpecer bebendo vinho" foi broxante. Mas, vá lá... A primeira parte do show foi, ao meu ver, a apresentação de um menestrel. Microfonias e vocal rasgado cuspindo letras despudoradamente viscerais. Wander Wildner é isso: visceras. Mesmo quando declama as gostosuras de sua empregada ou os atributos de "Daryl Hannah e sua bundona", Wildner soa real; alguém que explicita suas emoções. Lá pelas tantas - não lembro a hora, pois estava muito grogue - subiram ao palco integrantes do Uskaravelho para acompanhar o músico na porção mais "elétrica" do show. Daí, as canções mais alegrinhas do cara fizeram a festa das pouco mais de 100 pessoas que lá estavam no DoSol. Deu até pra ensaiar um pogo, mas, terminada a performance, ainda destroçado pelo instante adolescente que encerrara a apresentação do louco gaúcho, fui em busca de uma cerveja. Uma outra banda foi formada para tocar alguns clássicos do rock. Preferi não ver: estava entorpecido demais para ter uma visão lógica, cartesiana, daquilo. Fui comprar uma cerveja e pronto. Já tinha ganhado a noite e, pelo que vi depois, sorrindo a valer no lado de fora do DoSol, Wander Wildner também. |
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| Alexandre[10:39]
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| 15 Janeiro 2006 |
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| 5h40 |
Passa das 2h. Não, na verdade passa das 4h - meu cérebro não aguenta processar informações. Cerveja, erva e conversa fiada: uma combinação que, na maioria das vezes, termina em uma bruta dor de cabeça. Há quarenta minutos não consigo pensar em outra coisa senão: - Diabos, como vou voltar pra casa? Perdi uma carona. A namorada do Renato - que mora a alguns metros da minha casa - saiu mais cedo do que esperava. No final, morando em Neópolis, restam três alternativas: "casar" R$ 15 reais pro taxi; sair contando os postes daqui até o portão de casa; esperar o dia amanhecer e encarar um "busão". Da última opção, depois de tantas vezes fazê-la, criei nojo. A primeira, já que toda a minha grana tinha sido convertida em cervejas e cigarros (outra combinação que, na maioria das vezes, termina com uma bruta dor de cabeça). Restava, portanto, caminhar. Nunca gostei de caminhar. Acho que deveríamos ter vindo ao mundo equipados com flutuadores. Já imaginou: - Pessoal, valeu, vou flutuando para casa. Uma loucura. Bem, mas como a natureza não leu livros de Isaac Asimov ou Arthur C. Clarke, fico no "dois" até o portão da minha "bodega". A parte chata disso tudo é que, como são quatro da manhã, bem que poderia esperar o "busão". Pergunta: por que não espero? Simples: não tenho saco para aturar a cambada de fracassados que andam de ônibus. Você deve tá afirmando - quase me espancando: "Grande bosta, você é um deles também!". Não. Quer dizer, talvez seja. No entanto, mesmo sendo um deles, tenho o direito de identificar minha classe, não? Pois bem: esta é a questão. Mas, voltando para casa, a caminhada não é das melhores: travestis, trombadinhas, viciados em crack, playboys (estes, os piores) e suas "respectivas senhoras" cortam meu caminho a todo instante, lembrando os motivos porque adoro viver essa vida: passar por ela e deixar minha marca. (...) Agora vi que já passa das 5h00. Abro o portão da frente. Temos dois portões. Não temos mais cão. Papai resolveu entregar o Rex ao canil. Nada demais, só uma questão operacional: Rex dava muito custo para pouco resultado. Papai trabalha como operador de finanças. Rex foi vítima de um corte necesário, segundo ele. Algumas pessoas não vivem sem justificativas. Tomei um banho. Joguei minhas roupas, defumadas por muitos cigarros, no cesto e, depois de um banho, fui direto para a cama. Amanhã é domingo, dia de macarronada aqui em casa. Depois vem a segunda-feira. Nada contra, mas, nos últimos anos, tenho percebido o esforço que tenho feito para reduzir meu ritmo e não implorar para que a sexta-feira chegue mais rápido. Trabalho como relações públicas. Detesto o que faço, mas, como pagam bem, fazer o quê? Faço. Quem sabe, minha consciência, nos vejamos na sexta. Até lá, fique em stand by; depois conversamos. Ainda temos muito pela frente. |
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| Alexandre[22:18]
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| 02 Janeiro 2006 |
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| A Primeira Metade da Noite |
...e então, a noite estava somente na metade. Todos bêbados, sorridentes e dizendo o que eu, você e a torcida do América não gostaríamos de escutar. Lamentos sobre a vida, desacertos amorosos e falta de grana; tudo o que mais te torra a paciência. Lembro que estávamos os três - eu, André e Flávio -, com sorrisos que beiravam a insanidade, discutindo como terminaríamos aquela noite. Flávio, o mais otimista dos três, sentenciava: - Não saio daqui sem uma dessas para justificar todo esse tempo perdido - disse apontando para uma das mocinhas que tentavam se manter de pé próximo ao som. André e eu sabíamos que, na melhor das hipóteses, terminaríamos, e isso não era mal, voltando para casa sozinhos. Particularmente, desde que terminei com Regina (uma das melhores namoradas que já tive - boa com contas e pronta pra tudo), não estava muito interessado em "amarrar" meus cadarços. - Vai lá, bonitão - disse, enquanto apontava para a "fulaninha" que agora apoiava-se no ombro de uma outra. Flávio cresceu os olhos e, preparando-se para o "bote", já caminhava em direção ao som - a deixa, como sempre, alguma coisa sobre a música que rolava (ele sempre fora muito "musical"; gostava de tudo relacionado a música - defendia lixos como axé e sertanejo, tentando nos convencer da existência de certa qualidade nos gêneros em questão, mesmo sabendo que adorávamos britpop e college rock). Mal teve tempo de aproximar-se, descobriu algo que André observara instantes antes: - essa "mocinha" tem cara de quem "compartilha do mesmo gosto" que a gente - alfinetou. Bem, em resumo, quão hilariante foi a nossa surpresa quando Flávio, que passara os últimos minutos cortejando a distância e desejando a fulana - que mais tarde, descobriríamos, chamava-se Helena -, descobrira que o fruto apreciado por ela era, para seu desespero, exatamente o mesmo que ele idolatrava. O "muxoxo" dele foi impagável; risível seria um termo gentil. Daí, uma após outra, tratou de emborcar garganta pra dentro, tudo o que passava à sua frente com teor alcoólico acima de 10°. Como não poderia deixar de ser, a noite que estava em sua metade, ganhou a conotação que menos esperávamos, André e eu: tomar conta de um bêbado que, rejeitado por uma suposta lésbica, afogava suas mágoas em garrafas e mais garrafas. - Não agüento mais isso - resmungava André. Enquanto isso, com Flávio pendurado entre nós - gritando palavrões aos quatro cantos da cidade -, seguíamos em direção às nossas casas. O melhor: a primeira metade da noite foi, definitivamente, a mais interessante. Nisso você pode apostar... |
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| Alexandre[17:41]
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| 28 Dezembro 2005 |
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| Estes instantes perdidos... |
- Então, é isso... - É. Não há muito o que fazer, não é? - Não. Não mesmo. - Você começa. ...Tec-Tec-Tec-Click! - Não deu. Sua vez... ...Tec-Tec-Tec-Click! - Tô com sorte. Você de novo... Manda ver. ...Tec-Tec-Tec-Click! - Engraçado como, aqui, brincando, as coisas ficam mais claras.. ...Tec-Tec-Tec-Click! - É. ...Tec-Tec-Tec-Click! - Quanto tem mesmo aí? ...Tec-Tec-Tec-Click! - Ufa! Três contos... ...Tec-Tec-Tec-Click! - Dá pra fazer alguma merda por isso... ...Tec-Tec-Tec-Booom! - ... - É. Dá mesmo... |
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| Alexandre[22:20]
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| 18 Dezembro 2005 |
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| Ameaça ao status quo musical... |
 "A Vida é Rock'n'Roll A Vida é Rock'n'RollSem medo de viver;Sem medo de morrer;Liberte-se!Não é como uma vela que se apagaem meio à madrugada"Ameaça SubterrâneaO disco foi parido em 2004. Sim, parido. O resultado? Um trabalho emblemático; visceral, para ser mais sincero. Há algum tempo procurava pelo disco - encontrei algumas vezes Rômulo Angélico (Voz) e Lucas Fortunato (Guitarra) pelas quebradas da vida, mas sempre recebia a resposta que a estréia do Ameaça não tinha dado para quem queria. Tudo bem, no fim de semana, depois de uma sessão de PS2, cerveja e conversa fiada, peguei emprestado o disco de Alex de Souza. Senhores, a verdade veio aos meus olhos: o disco dos caras é um exemplar perfeito de rock no talo. Já conhecia a banda de uma das edições do Sextarte, organizada pelo amigo Magnus Kelly. A noite, das mais incríveis, teve uma das cenas mais emblemáticas: o próprio Kelly em cima de um bureau dançando ao som do Ameaça - enquanto isso, a banda incendiava o "terreiro". Mal tocado? Bem, quem se importa: mais importante é saber que o Ameaça Subterrânea é, livrada, a melhor banda no seu gênero. Rock'n'Roll anárquico de tremer o queixo. As letras de Rômulo e Walter Gonzales (responsáveis pela maioria das músicas) são inspiradas - dentro do universo Anarcopunk, sejamos claros. Não há cristão (oops!) capaz de ignorar canções como Rock Blues Jam (a epigrafe acima é dela), Na Boca do Poder ( Se a guerra acabar/E você continuar de pé/Seja ao menos cordial/Mande uma bomba pra multinacional) ou, a melhor, Motoca Laser ( Motoca Laser, Motoca Cilindrada/Não vejo nada nesse cenário obsoleto/Cenário obscuro onde a política é quadrada/Não quero mais esse governo obsoleto). Esta última, por exemplo, tem o melhor refrão já cunhado por uma banda potiguar em tempos. Acho que, diante do Ameaça, Kropotkin cairia dentro do pogo com Malatesta e os dois sairiam felizes, bebados e renovados. Uma sugestão: a banda parece estar terminando um novo petardo: aguarde e corra atrás do seu. |
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| Alexandre[13:48]
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| 28 Novembro 2005 |
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| Claro que foi sensacional... |
 Três horas de atraso. Foi isso que eu, Kênia e Gabriel tivemos de enfrentar antes da maratona de shows do Claro Que É Rock no Rio de Janeiro. Não bastasse a espera - decorrente de um problema com o caminhão que trazia o equipamento do Flaming Lips e Sonic Youth -, o lamaçal que tomava conta da Cidade do Rock contribuia para meu mau humor. Passavam das 18h quando os gauchos do Cachorro Grande começaram a apresentação. Sem maiores surpresas, os caras mandaram muito bem: rock de primeira. Os caras são, na minha opinião, a melhor banda do país. Canções como Sexperienced, Que Loucura! e Hey Amigo, foram providenciais para que minha irritação fosse embora. O encerramento foi perfeito: Helter Skelter, dos Beatles. Abertura nota 10. Depois deles foi a vez do Good Charlotte: uma bosta; cocô engarrafado com rótulo de Punk. Antes dos "Punkekas", apresentaram músicas d'Os Cartolas - vencedores do Claro Que É Rock (é uma boa banda, mas não oferece muito). Fui ao Lounge esticar as pernas e jogar conversa fora enquanto a próxima banda não se apresentava. Chegando lá, a indignação tomava conta: reclamações acerca da escolha do local, do fato dos ingressos estarem sendo vendidos a preço de banana e por aí vai. Um cara que conheci lá falou que boatos disseram que a organização do evento contabilizava os prejuízos: local de difícil acesso, ingressos caros, problemas com as chuvas, dentre outros. Terminado o show adolescente, subiu no Palco 1 o projeto de Mike Patton (ex-Faith No More): Fantomas. Na verdade, meu olhar estava mais atento ao Palco 2 e arrastei Kênia até lá quando vi Wayne Coyne (Flaming Lips) no palco. O melhor show da noite estava sendo preparado. Voltando ao Fantomas, o som da banda é esquisito demais para mim: colagem de ruídos e gritos guturais, seguidos por guitarras até o talo e um peso descomunal. Odiei, mas a melhor frase da noite foi dita por Patton: "Obrigado e é muito bom estar aqui no Festival Claro Que É Merda". Impagável. Enquanto isso, estava delirando com a preparação do show do Flaming Lips. Impressionante, para uma banda praticamente desconhecida no país, a maneira como Coyne interagia com o público: "C'mon Everybody. C'mon. Let's Start The Stravaganza". Pedido atendido, teve início o mais espetácular show da minha vida. Bolha gigante, bolas jogadas ao público, guitarrista vestido de Papai Noel, músicas interativas, confete, serpentina, luvas de pelúcia, teclados infantis e toda uma parafernália saída de um mundo insano, mas divertido. Este foi um pouco do que foi o show dos caras; uma apresentação curta, mas que me trouxe uma alegria tremenda. Algo como uma criança que descobre em um Parque de Diversões um mundo de possibilidades infinitas. A banda abriu com Race For The Prize: muito confete e balões lançados ao público que respondeu à altura. A banda emendou com uma interativa Bohemian Rhapsody, do Queen: perfeita. Enquanto isso, enormes balões foram jogados para o público. Depois, uma das minhas favoritas: Yoshimi Battles The Pink Robots, do álbum homônimo do grupo - durante a música, Coyne lançou confetes e serpentina sobre o público, além de utilizar uma marionete de uma freira como ajuda para a conclusão da canção. Novamente conclamou o público à extravagância. Em seguida, ajudado por um "tecladinho" infantil - daqueles que vem com sons sintetizados de animais -, Coyne fez uma espécia de desafio ao guitarrista. Depois, veio uma das minhas favoritas: She Don't Use Jelly, do disco Transmissions From The Sattelite Heart. Em seguida foi a vez da minha favorita: Do You Realize?, do álbum Yoshimi Battles The Pink Robots. Pela primeira vez em minha vida, em um show de Rock, confesso, senti lágrimas escorrendo pelo meu rosto: era uma sensação única de satisfação. O Flaming Lips encerrou sua curta apresentação com uma versão arrasadora de War Pigs, do Black Sabbath. Foi um dos muitos momentos em que as bandas demonstraram sua indignação com o Presidente dos EUA, George W. Bush. O Lips fez um show "pocket" literalmente, mas, no final, foi impressionante. Em seguida... bem, alguém podia ter me beliscado, mas não: era Iggy Pop And The Stooges que estava no palco. Teve 1969, 1970, Funhouse, Down On The Street, Dirt, I Wanna Be Your Dog... foram praticamente os dois primeiros e essenciais discos dos Stooges executados quase que na integra. Iggy é um espetáculo à parte: pula, gesticula, grita, esperneia, joga-se sobre o público. Em TV Eye, do álbum Funhouse, Iggy jogou-se no chão; em No Fun, chamou o público para cima do palco - até o Cachorro Grande entrou na "Grande Farra" em que se transformou o show de "Mr. Pop". A noite já estava ganha, mas, ainda havia dois petardos: Sonic Youth e Nine Inch Nails. O primeiro sempre figurou como um dos meus favoritos. O Sonic Youth fez um show composto por poucas músicas, mas com muita experimentação. Foram cinco músicas. As duas primeiras tiradas do recente Sonic Nurse - não sei o nome delas, mas posso dizer que foi a sensação de encontrar um velho amigo que tomou conta de mim. Skip Tracer, do Washing Machine, foi cantada por Lee Ranaldo. Dois clássicos fechariam a apresentação: White Cross e Expressway to Yr. Skull. A primeira, em uma versão quilométrica; a segunda, outra canção empregada como protesto contra Bush, encerrou a participação do Sonic Youth no Claro Que É Rock com uma coda devastadora. Coda. Devastador. Nine Inch Nails e sua estrutura musical de 25 toneladas encerraria com maestria o festival. Todos os clássicos da banda estavam lá: Burn, da trilha de Assassinos por Natureza, March of The Pigs, do álbum The Downward Spiral, dentre outras. Apesar de privilegiar canções do disco mais recente, With Teeth, a banda-de-um homem-só-que-atende-pela-sigla-NiN chamada Trent Reznor, diversificou muito bem o set. Por exemplo: Terrible Lie, do disco Pretty Hate Machine foi um dos pontos altos; Closer, do já citado The Downward Spiral, e da também já citada Burn, do EP Broken, ganharam destaques. As canções You Know What You Are?, The Collector e The Hand That Feeds fizeram a alegria daqueles que permaneceram na Cidade do Rock até às 3h da matina. Missão cumprida, tomei o rumo de casa, sabendo que o que ficara gravado na minha retina não tinha preço. Ainda estou assobiando Do You Realize? e vendo a cara de satisfação de Wayne Coyne. Acredito que a felicidade nos faz chorar, sim... |
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| Alexandre[21:02]
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| 02 Novembro 2005 |
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| The Gift |
 Gosto de presentes. Apesar de não recebê-los muitas vezes, gosto disso. Tanto que, de uns tempos para cá, apesar das opiniões contrárias, costumo eu mesmo comprar alguns. Coisas que, por suas particularidades, poucos conseguiriam fazê-lo. Por exemplo: a imagem acima. Não tenho como explicar, mas, ao saber que três das bandas que mais gosto e um dos meus ídolos máximos fariam uma apresentação no Brasil, não poderia deixar de ir. Como disse uma vez, o TIM Festival "mais parecia baile de debutante diante das atrações do Claro Que É Rock". Não. Não é todo o dia que Iggy Pop vem ao Brasil (na verdade, é sua primeira vez). Não bastasse ele, o Iguana vem acompanhado por ninguém mais, ninguém menos que Sonic Youth, Flaming Lips e Nine Inch Nails (as outras bandas, exceção ao Cachorro Grande e à Nação Zumbi, pouco importam). Enfim, tinha que me permitir este presente. "Eu me permito" é o mote. Nada mais justo que, no mês de meu aniversário, fizesse isso. Sem remorsos ou, melhor, preocupações futuras, consegui organizar tudo. Um momento de êxtase está vindo aí. Não sei o que vai ser, mas, quando estiver escutando The Passenger, posso garantir: meu sorriso de ironia e satisfação estará impagável. |
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| Alexandre[10:59]
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